Eu ansiava pela chegada desta série temática, que ora começamos. O escrito de hoje conta um pouco da história de como essa história de escrever começou. Ele também esclarece um pouco do que estamos fazendo por meio da escrita neste exato momento. E o mais legal: dá pistas do que vem pela frente, nos limites daquilo que eu já compreendi; os trilhos futuros que foram aparecendo no processo de escrever os primeiros 68 textos.
No 006 MAR DE GENTE, eu disse o seguinte: “"Meio milhão de pessoas cruzam o nosso caminho durante a vida!". Essa frase, aparentemente superdimensionada, chamou minha atenção algum tempo atrás. "Absurdo!", pensei. "Devem ter extraído esse número de uma daquelas pesquisas malucas que há por aí”. Mas fiquei mesmo intrigado e resolvi fazer as contas”. E naquele texto, prossegui com alguns pensamentos sobre as pessoas mais importantes da nossa vida, as que mais nos marcaram ou ainda marcam.
Eu consigo identificar com razoável precisão o momento em que me deparei com aquela ideia do “meio milhão”. Foi no final de 2014, quase 7 anos atrás. Sei disso porque me recordo ter sido num dos vários finais de ano que já passei em Iepê, e tenho certeza que foi antes do ano de 2016, por um fato especial que logo será mencionado. Hummm, mas então não poderia ter sido no final de 2015? Seguramente não, porque a distância entre o tal fim de ano no sítio e o tal fato especial levou mais de 1 ano, e nesse meio tempo, entre os dois fatos, eu escrevi muitas e muitas páginas da ideia mais embrionária que tive sobre a publicação de algum livro. Por isso, não foi no final de 2015. Também sei que não foi no final de 2013, porque naquele ano em morava em Curitiba, e me recordo bem que a ideia e os primeiros escritos ocorreram quando eu já tinha retornado para Maringá. Enfim, foi em dezembro de 2014.
Gastei um tempinho falando sobre esses marcos temporais, só para ilustrar como funciona na minha mente a organização do tempo, quando por tempo eu quero dizer as épocas em que algumas coisas aconteceram. Eu me mudei várias vezes de cidade, e me recordo exatamente dos anos vividos em cada lugar. Desta forma, ao buscar lembranças, consigo na maioria das vezes precisar o ano e, não raro, até o mês.
Coisa de doido, né?! Mais ou menos assim: Do meu nascimento em 1977, até a mudança da família para Cianorte, em 1980, obviamente de nada me lembro. Sei apenas que nesses primeiros anos da minha vida tivemos residências em Centenário do Sul e Jaguapitã. Meu nascimento em Ponta Grossa foi uma conveniência, pelo fato de lá haver uma estrutura melhor e meus pais estarem seguidamente naquela cidade, atendendo atividades da igreja. A partir daí, as caixinhas da minha vida ficam bem claras:
1980 a 1986
– Cianorte
1987 e 1988
– Pirapozinho
1989 e 1990
– Cornélio Procópio
1991 a 1993
– Cianorte
1994 –
Cascavel
1995 (1º
semestre) – Londrina
1995 (2º
semestre) – Cascavel
1996 a 2003
– Maringá
2004 e 2005
(1º semestre) – Porto Alegre
2005 (2º
semestre) a 2008 – Maringá
2009 (1º
semestre) – Vitória
2009 (2º
semestre) – Brasília
2010 –
Maringá
2011 (1º
semestre) – Salvador
2011 (2º
semestre) a 2013 (1º semestre) – Maringá
2013 (2º
semestre) e 2014 (1º semestre) – Curitiba
2014 (2º semestre) em diante, até o presente momento – Maringá
Com essas
referências temporais claramente organizadas na minha cabeça, eu identifico os
muitos e muitos fatos ocorridos ao longo da vida. E o interessante é que nos
períodos mais alongados no mesmo lugar, tais como 1996 a 2003 e 2014 até 2021,
eventualmente eu enrosco um pouco na precisa identificação. Já nos demais, por
serem porções bem menores de tempo, não tem erro. Enfim, tudo isso para... NADA
(risos). Na verdade, só para compartilhar mesmo.
Bem, voltando então a dezembro/2014, quando li algo sobre as muitas pessoas que cruzam nossa vida, parei para pensar sobre quais dessas dezenas ou centenas de milhares, até então, teriam sido as mais importantes. Novamente colaciono um trecho do escrito 006: “Ao encarar a mesma tarefa, mas escalando os(as) 11 titulares da Seleção da Minha Vida, aconteceu exatamente a mesma coisa. Dois terços estavam na ponta da língua: mãe, pai, avós, irmãos, sobrinhos, uma tia com quem tenho forte afinidade, uma amiga de longuíssima data. E no terço final da lista, semelhantemente, deu aquela travada. A brincadeira fica instigante, divertida; faz realmente pensar. Começo a me dar conta do tanto de gente que conheço, sejam aqueles que chegaram e se mantiveram perto; sejam alguns que passaram um período na minha vida, depois sumiram; quem sabe até pessoas que já faleceram”.
E assim, identificadas algumas dessas pessoas importantes, resolvi escrever sobre elas. Sem planejamento, sem expectativas. Apenas abrir um arquivo e começar a digitar histórias com minha mãe, meu pai, Sarinha, Vó Laurinda, minha grande amiga Dayene, um Juiz Federal com quem trabalhei, uma ex-namorada, etc. Mas logo o processo de escrever parou. Passaram-se uns meses, escrevi mais um pouco, parei de novo; depois um ou dois textos e nova parada, até que cessou total. Nesse meio tempo, surgiu a ideia de organizar os textos num livro autobiográfico, não para publicação. Algo assim (essa parte está na Introdução que escrevi para o tal livro, que ainda não existe):
“Como já dei pista, amo livros e tenho uma relação intensa com eles. Venho agregando volumes e mais volumes à minha biblioteca pessoal - especialmente a partir dos 25 anos de idade - e adoraria ter em minha estante livros escritos pelos meus pais, avós, tios, bisavós. Interesso-me por suas histórias de vida, e também por seus pensamentos, sonhos, crenças, etc. Tais volumes não existem, e tudo o que sei sobre meus antepassados é fruto da tradição oral e/ou convivência. Assim como sou um homem comum do quarto final do século XX e primeira metade do XXI, pessoas que me significam foram homens e mulheres comuns dos séculos XX, XIX, XVIII... e tenho tão poucos detalhes. Suas histórias, como a minha, não interessariam ao grande público, mas interessam a mim. Pode ser que a vida de Fernando Veríssimo Neves desperte interesse em seu filho, seus netos, bisnetos, e quero proporcionar-lhes o conhecer-me, mesmo depois de deixá-los. Não sonegarei nada nas páginas que se seguem. O bonito e o feio serão expostos. Direi coisas que ninguém sabe. Pode ser que os leitores se frustrem, pode ser que se orgulhem. Não sei. Mas quero existir nessas linhas, conhecê-los depois que eu partir”.
Fala sério! A Língua Portuguesa é bonita, né?!
Enfim, mesmo com muitas páginas escritas, a tal autobiografia estacionou, ficou por aquilo mesmo, e eu me ocupei naquele restante de 2015 e início de 2016 com outras coisas. Até que em abril ocorreu o fato especial, que mencionei mais acima. Uma pessoa muito temente a Deus, e muito séria naquilo que chamamos “coisas de Deus”, recebeu dEle, dEle mesmo, do Eterno, do Senhor da Glória, uma palavra sobre mim. Uma palavra múltipla, com alcance em diferentes áreas da minha vida, coisas que talvez a gente comente em algum escrito futuro. Mas a parte dessa palavra que quero destacar é a seguinte:
- Então, Fer. Deu mandou te perguntar por que você não está escrevendo o livro que Ele te deu?
- Nossa! (eu em choque)
- Sério que você está escrevendo um livro?
- Sim. Bem. Mais ou menos. Eu estava, mas meio que parei.
- Pois então, Deus me mostrou que você vinha escrevendo, parou, só que Ele manda te dizer que esse livro foi Ele quem te deu, e que Ele tem muitos outros para te dar, mas isto só vai acontecer se você escrever o primeiro.
Uooow! Pense em como é receber uma palavra assim. E olha que eu nem falei as outras partes do que a pessoa me entregou. São coisas ainda mais impressionantes.
Claro que naquela mesma noite eu liguei o computador e escrevi um monte, e mais um monte na noite seguinte, e nos dias e semanas seguintes, até que parei de novo. Passavam-se umas semanas, vinha a consciência de que Deus queria que eu escrevesse, então retomava firme. Mais uns dias ou semanas de muita produção, e nova parada. Um processo irregular, inconstante, que se arrastou desde aquele abril/2016 até o início de 2021, mais precisamente o dia 25/03/2021, quando criei o blog Escritos Aleatórios e publiquei o escrito 001 AMOR EM TEMPOS DE PANDEMIA.
Foram exatos 5 anos tocando a escrita irresponsavelmente, até que me veio um temor muito grande por minha negligência. Pensei: “Caramba, Deus se dignou mandar uma pessoa me entregar uma palavra, foi claríssimo em dizer que tem livros para me dar, e eu aqui enrolando. Certeza que vai dar ruim pro meu lado, se eu não tomar vergonha na cara”. Bateu aquele senso de urgência urgentíssima, ao ponto de eu não sossegar até concluir o escrito 001, colocando-o no ar no mesmo dia. Isso sem saber mexer com blog, qual a melhor forma, questões de direitos autorais, nada. E, na real, preocupação zero com isso, pois eu sabia apenas que tinha que começar. Começar e permanecer, diferentemente das vezes anteriores, para que assim Deus pudesse me dar tudo que Ele tinha e tem através das letras.
E assim, passados 7 meses, publicados 68 textos (contando este), tenho persistido, aprendido muito, ensinado um pouco, e visto a cada dia o quanto Ele tinha para derramar na minha vida. E de uma forma tão leve, fazendo uma das coisas que mais gosto, que é escrever. Um processo simples, simples, simples: SE EU OBEDEÇO E ESCREVO, ELE FALA MAIS; SE EU FICO PARADO, ELE NÃO FALA. Os Escritos Aleatórios são o meu lugar secreto com Ele. Aqui rolam mais sobrenaturais com Deus, para mim, do que em muitos momentos de oração, ou de adoração na igreja, ou nas diversas outras formas que Ele usa para tratar com seus filhos. Sábio ao infinito, como Ele é, escolheu a linguagem certa para tratar comigo. Deus é top demais!
Certo, mas o que tudo isso que falamos até aqui tem a ver com o título deste escrito?
VIDA INTEGRAL...
Pois bem, naquele período irregular de 5 anos, de abril/2016 até o escrito 001, embora eu não estivesse em completa obediência à direção que recebi, fui pouco a pouco tendo compreensões sobre o que fazer. Claro que isso só acontecia nas fases em que eu escrevia. Uma compreensão importante e muito, muito clara, foi que o livro autobiográfico não era para publicação. Escrevendo sobre as pessoas mais importantes da minha vida, fui me entendendo, fui me organizando, enxergando claramente porque sou como sou em determinados aspectos, meu temperamento, meus modelos, o que me move, o que me trava, e muitos mais. A autobiografia foi – e ainda é – uma espécie de divã com o Senhor, um lugar muito particular, só nosso, para conversas que não são para o público. INTIMIDADE.
A compreensão que se seguiu, e que confirmava a palavra inicial, foi que se eu começasse a escrever o primeiro, Deus me daria os próximos livros. Só que uma coisa não precisava aguardar a outra. Assim como leio vários livros ao mesmo tempo, por que não escrever dois ou três, simultaneamente? Foi o que fiz. Paralelamente à autobiografia, começaram a brotar ideias para um primeiro livro publicável. Na verdade, ideias antigas, que eu tenho comigo desde o início da fase adulta da vida. Ideias para uma VIDA INTEGRAL.
A imagem escolhida para o Instagram neste escrito 068 é um retrato da ideia: A Vida Integral vista como um círculo perfeito, composto por 7 áreas fundamentais (cada área como uma fatia de pizza):
1) Espiritual
2)
Corpo/Mente/Saúde
3) Emocional/Familiar/Social
4)
Intelectual
5)
6) Patrimonial
7) Geracional/Legado
E, como a imagem sugere, cada área tem muitas subdivisões, que são os ingredientes de cada fatia da pizza.
Comecei então a escrever sobre isso – naquele intervalo 2016-2021 – de forma não muito planejada, como já dito. Algumas fatias bem adiantadas, prontas para o forno. Outras só na massa, sem ingredientes colocados. As partes prontas, vez ou outra eu mencionava numa conversa, ou num aconselhamento, uma ministração, e percebi que havia impacto. Ouvi de várias pessoas: “Fer, isso é muito precioso. Publique este livro logo, cara! É uma mensagem relevante”. E eu lá, vacilante, escrevendo igual a um vaga-lume. Mais adiante compartilhava outra parte com alguém e: “Cara, que top! Você deveria escrever um livro”. Vai vendo...
Só que tem um pequeno detalhe: É MUITA COISA PARA ESCREVER! Fazer bem feito, cobrir adequadamente cada uma das 7 áreas e suas muitíssimas subdivisões, é trabalho para muitos meses ou anos. E obviamente meu desejo era/é entregar um trabalho bem feito, não feito nas coxas. E mais: quando ter certeza que ficou pronto? Quando entender que ficou bom? Porque eu me conheço, gosto de fazer tudo com excelência – alguns dizem ser perfeccionismo – razão por que o livro Vida Integral correria o sério risco de ficar num processo interminável de escrita e revisão, escrita e revisão, sempre pintando um detalhe, um novo ingrediente para a fatia tal, ajustes, etc. Eu não terminaria nunca, mas estava claro que a mensagem era relevante e já impactava a todos aqueles para quem passei pequenas porções.
Então, num belo dia, numa conversa trivial com uma pessoa muito querida, falando justamente sobre essas ideias, e o livro em processo de construção, eu recebi a dica que virou o jogo: “Fer, por que você não faz um blog e já vai publicando as partes que estão prontas?” Uooow! Claro! Era isso. Apareceu a solução para o risco das revisões intermináveis. E, claro, eu não criei o blog na época dessa conversa, que foi anterior à pandemia. Mas o bom conselho foi dado, e eu não o esqueci.
Passado um tempo, quando bateu aquele peso pelas muitas procrastinações, tomei posição e fiz o que tinha que fazer. Escrevi o primeiro texto em 3 dias, revisando e re-revisando, e muda aqui, corta ali, até que claramente veio uma impressão em meu íntimo: “Deixe de perfeccionismo, Fer! Está bom, publique assim”. Obedeci, parei de mexer no texto, fui atrás de saber como se criava um blog e trombei com o Blogger (blogspot). A coisa não era tão complicada, bem intuitiva mesmo, e de repente eu estava com um ambiente para começar a postar os textos. O nome ESCRITOS ALEATÓRIOS brotou espontâneo. Foi o título que me ocorreu naquela hora, pois refletia exatamente o que seria e tem sido esta jornada de letras.
Temas vindo à mente aos montes. Alguns com páginas já escritas – daqueles anos irregulares anteriores – e a maioria ainda por escrever. Num app de anotações em meu celular, não deixo nada ficar para trás. Ocorre-me uma ideia, um possível título para o próximo texto, algo que me falou mais ao coração nas leituras bíblicas, um fato ocorrido em família, etc. Tudo, literalmente tudo pode ser matéria-prima para umas horinhas de reflexão aqui no teclado. E assim tem sido, já por 7 meses. Ideia para um dia parar? Não. Nenhum indicativo de parada no horizonte. Pelo contrário. Quanto mais eu vejo páginas e páginas vindo à existência, e o quanto isso descortina novos temas, percebo que será um trabalho para a vida toda.
“Beleza Fer, mas e o livro escrito? Não vai rolar?”
Vai sim. Tenho algumas direções sobre o processo seguinte, que não tardará. Mas agora, neste tempo específico, o mais importante era ver nascer um escritor disciplinado, cujos dois escritos semanais no blog são um termômetro dessa necessária constância. Li num dos meus muitos livros que um verdadeiro escritor escreve todos os dias. Bem, se é assim mesmo, eu não sei. Cá comigo, acabei encontrando uma regularidade que se encaixa bem na minha rotina, que tem diversas coisas demandando atenção. Além do mais, nos 3 ou 4 dias que separam um texto do outro, muito acontece aqui na cachola, no processo criativo. Por vezes venho ao teclado com tudo previamente elaborado. Noutras, o negócio é ao vivo, no FLOW. (Qual teria sido o processo hoje?)
Enfim, chegando nas partes finais do 068, está contada sucintamente a história do que nos trouxe até aqui, nestes Escritos Aleatórios. Um livro que está sendo escrito de pouco em pouco, num formato meio maluco, aleatório mesmo, como tinha de ser. Mas o pano de fundo, agora você sabe: é a ideia de uma VIDA INTEGRAL, com suas 7 áreas e muitas partículas, todas bem ajustadas, funcionais, equilibradas. É sobre isto que falaremos nas próximas 3 ou 4 semanas, abordando cada parte, numa série complementar ao texto de hoje.