domingo, 26 de junho de 2022

081 MANIFESTO PELA RADICALIDADE

Radical: adjetivo de dois gêneros; relativo ou pertencente à raiz ou à origem; original; elemento que contém o significado básico de uma palavra e a partir do qual pode constituir-se uma família de palavras.

Raiz: substantivo feminino; base ou parte inferior de algo; eixo de uma planta vascular, que se desenvolve a partir da radícula, geralmente descendente e subterrâneo, frequentemente com ramificações secundárias, e que serve para fixa-la a um substrato, além de absorver e conduzir água e minerais.

Radicalidade: substantivo feminino; condição de radical, do que pertence à raiz; relativo à raiz, à origem ou ao fundamento de alguma coisa; qualidade do que é inerente a algo ou alguém; característica do que não é convencional nem tradicional; de teor definitivo ou total.

Radicalismo: substantivo masculino; sistema político-ideológico que pretende a transformação imediata e completa da organização social.

Quatro rápidas pesquisas no Google, para quatro definições ou descrições de palavras que conhecemos. Sejamos bons ou não em descrever, internamente temos uma compreensão mínima de seus significados, fruto de imagens que se formaram em nossa mente em algum momento específico, ou ao longo da vida, num processo cumulativo e mais fragmentado.

Cá comigo, quando ouço/leio a palavra RAIZ, a primeira imagem que se forma é a de uma planta, com um eixo mais calibroso, do qual saem as muitas ramificações menores. No caso de RADICAL, não acesso nenhuma imagem específica, mas sim a ideia de INTENSIDADE, sem valoração positiva ou negativa. Para RADICALIDADE, semelhantemente ao seu radical radical (pegaram essa?!), acesso também a ideia de algo intenso, muito forte, extremo. Por fim, com RADICALISMO não me afasto muito das duas anteriores, mas sem me dar conta de seu viés mais sociopolítico.

Pois bem, lançadas essas pequenas bases para o assunto de hoje, vamos ao que interessa. Vamos ao meu MANIFESTO PELA RADICALIDADE.


Não sei quais imagens ou ideias se formaram em sua mente, quando leu o título deste escrito. Mesmo porque ainda não defini qual figura vou utilizar no Instagram, tampouco a música. Na maioria das vezes esses detalhes são pensados (muito rapidamente) quando o texto é finalizado.

Digamos que tenha sido algo na linha de “Vishi, lá vem paulada!”, ou “O Fer deve estar azedo hoje”, ou ainda “Na certa vai falar aqueles blábláblás de Deus, que quase sempre estão em seus textos”. Resposta: nem um, nem outro, nem outro tampouco.

Mas sim, claro que sim, tem sempre um textinho das Escrituras no rolê. Não blábláblá, porque a Palavra não é isso.

Colossenses 3:23 contém, no meu entender, o PRINCÍPIO DA RADICALIDADE: “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens”.

Colossenses é um livro da Bíblia. Um dos pequenos, com apenas 4 capítulos. Somados, são 95 versículos. Molezinha, você conclui a leitura num tapa, vapt-vupt. Aliás, recomendo fortemente que o faça. Você poderá dizer, ao final deste dia: “Cara, hoje eu li um livro inteiro da Bíblia”. Massa, né?!

Beleza, Colossenses é um livro da Bíblia. Mas o que mais?

Ele é uma CARTA PASTORAL.

Toda carta possui um autor; no caso, o apóstolo Paulo. Toda carta possui também um ou mais destinatários; no caso, uma igreja fundada em Colossos, pelos fins da primeira metade do Século I depois de Cristo. Seu autor encontrava-se preso em Roma, aproximadamente uns 1960 anos atrás, aguardando julgamento por ter sido acusado de rebelar-se contra César, imperador de Roma.

Está aí o contexto do texto.

Transcrevo parte da introdução a Colossenses, contida em minha Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Por isso as devidas aspas:

“Colossenses é um livro de conexões. Escrevendo da prisão em Roma, Paulo combateu falsos ensinos que haviam se infiltrado na igreja de Colossos. O problema era o ‘sincretismo’, combinar ideias de outras filosofias e religiões (como o paganismo, variantes do judaísmo, e pensamentos gregos) com a verdade cristã. A heresia resultante mais tarde se tornou conhecida como gnosticismo, enfatizando o conhecimento especial (gnosis, em grego) e negando a Cristo a condição de Deus e Salvador. Para combater esse grave erro, Paulo enfatizou a divindade de Cristo – sua conexão com o Pai – e sua morte sacrificial na cruz pelos pecados. Somente por meio de uma conexão contínua com Ele alguém pode ter poder para viver. Cristo é Deus encarnado e o único caminho para o perdão e a paz com Deus Pai. Paulo enfatizou também as conexões dos crentes uns com os outros como o corpo de Cristo na terra. A introdução da carta de Paulo aos Colossenses inclui uma saudação, uma nota de ação de graças e uma oração pedindo sabedoria e força espiritual para os irmãos em Cristo (1.1-12). O apóstolo passa, em seguida, para uma discussão doutrinária a respeito da pessoa e da obra de Cristo (1.13-23), declarando que Ele é ‘a imagem do Deus invisível’ (1.15), o Criador (1.16), ‘a cabeça do corpo da igreja (1.18) e ‘o primogênito dentre os mortos’ (1.18). Sua morte na cruz possibilitou estarmos na presença de Deus (1.22). Paulo então explica como os ensinos do mundo são totalmente vazios quando comparados com o plano de Deus e desafia os colossenses a rejeitarem respostas superficiais e a viverem em união com Cristo (1.24 - 2.23). Tendo estabelecido esse cenário teológico, Paulo se volta às considerações práticas – o que a divindade, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo devem significar para todos os crentes (3.1 - 4.6). Devido à certeza quanto ao nosso destino eterno, nossos pensamentos devem ser preenchidos com assuntos referentes ao céu (3.1-4). A impureza sexual e outras luxúrias mundanas não devem sequer ser mencionadas entre nós (3.5-8); a verdade, o amor e a paz devem marcar a nossa vida (3.9-15). Nosso amor a Cristo deve também traduzir-se em amor aos outros – amigos, companheiros crentes, cônjuges, filhos, pais, servos e mestres (3.16 - 4.1). Devemos nos comunicar constantemente com Deus pela oração (4.2-4) e aproveitar todas as oportunidades para transmitir aos outros as Boas Novas (4.5,6). Em Cristo, temos tudo o que precisamos para a salvação e para vivermos a vida cristã. Provavelmente Paulo nunca tivesse visitado Colossos. Por isso, ele termina esta carta com comentários pessoais sobre as associações cristãs comuns dos irmãos naquela cidade, fornecendo uma lição viva das conexões no corpo de Cristo. Leia Colossenses como uma carta que tinha como destinatário uma igreja preparada para a batalha no primeiro século, mas leia-a também pelas verdades infinitas e atemporais nela contidas. Esta carta é atual! Renove seu apreço pelo Senhor Jesus Cristo como a plenitude de Deus e a única fonte para vivermos a vida cristã. Saiba que Ele é seu líder, cabeça e fonte de poder. E tenha certeza de estar conectado a Ele”.

Dahora, né?!

Tão melhor ler um texto bíblico com uma perspectiva mais ampla. Ler com entendimento é bom.

Daí a gente volta para o “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens”, de Colossenses 3:23 e diz “AMÉM, GLÓRIA A DEUS! É ISSO MESMO. É ASSIM QUE VOU VIVER”.

Mas conseguiríamos manter o mesmo entusiasmo para gritar améns para os versos imediatamente anteriores (18 a 22), onde Paulo escreve da sujeição das mulheres aos maridos; ao dever destes em amá-las e não irritá-las; à obediência em tudo que os filhos devem aos pais; aos pais não irritarem seus filhos; aos servos obedecerem aos seus senhores neste plano horizontal?

Responda você para si mesmo se o entusiasmo de seu amém é mantido. Ou, antes disso, se você realmente consegue dizer um amém sincero para essas e tantas outras ordenanças bíblicas.


Este escrito tem um tríplice objetivo:

1 – levá-lo a ler o livro de Colossenses, ainda hoje;

2 – fazê-lo pensar nos fundamentos de sua vida, de sua fé, nas raízes que você tem, e em que substrato elas estão fixadas (rocha ou areia; na Palavra ou nas flexíveis filosofias deste mundo);

3 – compartilhar contigo um dos princípios da Palavra que mais aprecio, o da Radicalidade.

O objetivo 1 vai te tomar uns 15 minutinhos. O número 2, não tenho como estimar. O 3 é este próprio escrito.

Fazer tudo de todo o coração tem a ver com radicalidade, palavra que associo a intensidade (lembra, lá do início?!). Quando a compreensão deste princípio rolou pra valer em mim, eu me tornei um radical. Sou radical em tudo. No mínimo, procuro ser. Tem áreas que já alcancei a intensidade; outras estão no processo. Mas ser um MEIA-BOCA não está nos planos. Se fosse o caso, estaria escrito no 3:23 que “tudo quanto fizerdes, fazei-o de boinhas, do jeito que der, sem tanto compromisso, pois ser radical/intenso não é bom”. Percebe que não sou eu, não é o pastor, não é quem quer que seja, mas o próprio Deus, pela boca do apóstolo Paulo, quem te faz um chamado à radicalidade?! FAZEI-O DE TODO O CORAÇÃO. Somente uma pessoa absolutamente comprometida com o resultado, alguém radical, poderá dizer amém a este chamado.


Que este escrito possa ter trazido à sua mente um novo entendimento sobre a verdadeira radicalidade. É um textinho curto, como a carta de Paulo aos Colossenses. Deve ter tomado nem 15 minutinhos de seu dia. Que bom que chegou até aqui.

Uma boa semana! A gente se vê em breve.

082 PALAVRAS AO VENTO

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