quarta-feira, 13 de outubro de 2021

064 APENAS UM DENTE NA ENGRENAGEM

O tamanho, os números e a complexidade do mundo são assustadores, para dizer o mínimo.

Sobre o tamanho, autoexplicativo. Trata-se de um planeta gigante, cujo território é altamente, senão absolutamente desafiador para alguém aventurar-se a conhecê-lo por completo. Cá comigo, penso que mesmo com todas as tecnologias de hoje, a velocidade dos meios de locomoção, e tudo mais que fosse investido na hipotética odisseia, seria humanamente impossível executá-la. Uma pessoa com todos os recursos à sua disposição, mesmo numa longa vida, não daria conta de conhecer tudo que há. Na melhor das hipóteses, pinceladas, vislumbres do que cada lugar realmente é. Porque a esfera azul é muito grande.

Quanto aos números, todos também superlativos. São centenas de países pra lá, milhares de línguas, idiomas, dialetos e falares pra cá, não-sei-quantos milhões disso, trocentos e bolinha bilhões daquilo, e o mundo enorme mais que dobra de tamanho. Geografia, uma das minhas matérias favoritas na escola, era um prato cheio nessa parte. Eu me impressionava bastante com os números que ela me apresentava nas saudosas aulas do Prof. Momesso. Posteriormente, mantive por alguns anos o hábito de comprar o famoso Almanaque Abril. E... adivinha?! É, eu lia o almanaque de ponta a ponta; toda aquela parte retrospectiva no ano anterior, depois os temas de destaque, e por fim as informações básicas de cada um dos países do mundo. Tudo. Cada linha. Sempre pintava algo bem impressionante, aquilo que no escrito 062 eu chamei de pequenas pepitas ou gemas na minha garimpagem do conhecimento.

Por fim, temos a notória complexidade do mundo. Além da enormidade territorial, e da superlatividade numérica e estatística, agora entram no bolo os ingredientes culturais, históricos, as relações entre os países, os muitos países dentro do mesmo território – Brasil é exemplo clássico deste fenômeno – as divergências, as ideologias, as guerras, e tudo mais que torna nosso mundo extremamente complexo. E não, a globalização não homogeneíza a esfera azul. Quando muito, passa uma impressão de estarmos caminhando para um estádio de comunidade global, por termos o inglês como link linguístico entre todos os povos, um jeitão comum de se vestir, o uso do mesmo aplicativo de mensagens e as redes sociais para interagirmos, as Olimpíadas assistidas por bilhões pela TV, um ou outro sucesso musical planetário, e coisas do tipo. Mas penso que essa aparente homogeneidade é um verniz bem fino no tecido cultural. As fibras mesmo, essas são muitas e complexamente heterogêneas.

Dito isto, repito ser sim assustador um olhar individual voltado para o mundo. Sentimo-nos desprezíveis, de tão pequenos. Tomarei a mim como exemplo: Homem solteiro, 44 anos, ex-calvo, servidor público, procura pessoa para... ops! Pula essa parte. Mas falando sério, quem me conhece e sabe quais são minhas características principais, como eu bem as conheço, olha e conclui (indagando): que impacto este cara poderia ter neste mundo enorme, superlativo e complexo? Resposta automática (minha e/ou de qualquer um): nenhum impacto, ou algo infinitesimalmente perceptível (ver escrito 063). E é verdadeira a resposta, quando dada numa perspectiva meramente humana. O Fer é apenas um dente na engrenagem.

E sabe o que eu sei sobre engrenagens? Pouco. Mas uma coisa que eu sei é que numa estrutura mecânica grande, superlativa e complexa, um mero dente na engrenagem não faz a máquina parar. Segue o baile. Vai sem o dente mesmo, da mesma forma como sem um dente na arcada você consegue se alimentar e sorrir, a não ser que seja bem na frente a janelinha. Tião Macalé não, né?! Mas se for um do fundão, assim como eu tenho um em falta neste momento, a gente consegue mexer depois e seguir normalmente com a vida, comendo, bebendo e sorrindo.

Outra coisa que eu sei sobre engrenagens e seus dentes, é que (novamente) de modo semelhante aos da boca, eles podem ser trocados. E o são, diuturnamente. Se uma pessoa é um dente na engrenagem da grande empresa e os gestores concluem que não serve mais, troca-se. Está cheio de dentinhos na fila dos desempregados, desejando mais que tudo aquele lugar na máquina. Desde que se pague um salário minimamente suficiente para sobreviver, tá valendo. Nesse contexto, desejar uma existência mais rica de significado é luxo. A boa e velha Pirâmide das Necessidades de Maslow em ação novamente. Dentes de engrenagem precisam sobreviver primeiro, para quem sabe um dia se ocuparem com realização pessoal, influência, construção de legados, etc.

Cenário triste, né? Conversa mais deprê essa de hoje.

Mas eu não me vejo assim.

Não porque – objetivamente falando, sob a ótica do mundo enorme, superlativo e complexo – eu tenha alcançado uma posição destacada. Não mesmo. Visto por essas lentes, sou insignificante. Você também, muito provavelmente. E é assim mesmo que os idealizadores dessa lente desejam que seja: “Exista e dê-se por satisfeito por ter um lugarzinho na engrenagem, seu dentinho. Sem reclamar, viu!”.

Mas eu não me vejo assim. Não, porque um dia eu entendi que existe uma outra lente sobre mim. Outra perspectiva. Outra metáfora, que de metáfora nada tem. Trata-se de uma realidade viva. A grande engrenagem com seus dentes é metáfora. O Corpo de Cristo com seus muitos membros não é. Ele é uma REALIDADE VIVA, isso sim.

Ao ver-se pelas lentes dEle, você sai da “realidade” fria de um dentinho na engrenagem, para a realidade viva de ser uma parte do Corpo. Uowww, que mudança completa de paradigma! (levei 64 textos para usar esta expressão, heim rs)

Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação no ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria. (Romanos 12:4-8)

Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; e os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela. Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. (1 Coríntios 12:12-27)

Colocadas agora estas preciosas porções das Sagradas Escrituras, digo que o objetivo único do presente escrito 064 é compartilhar uma descoberta libertadora: EU SOU O QUE A BÍBLIA DIZ QUE EU SOU! Quando esta verdade entrou no meu coração, trocando as lentes com que não apenas o mundo, mas eu mesmo me enxergava, tudo mudou. Afinal, se pelas antigas eu não passava de apenas um dente na engrenagem, pelas novas e vivas lentes do Evangelho eu sou um precioso membro do Corpo de Cristo. E neste corpo, se em algum momento eu me enxergar como pequeno ou insignificante, a Palavra me lembra que TODAS as partes são igualmente importantes, têm o seu papel, valor, e foram pensadas por Ele. Por isso jamais desprezarei o meu lugar no corpo. Foi Deus quem me fez como fez, e me plantou onde plantou, para ser o que Ele quer que eu seja. Tudo isso para o bem geral do corpo como um todo, e para o louvor da Sua Glória.

Se esta visão ainda não é a sua, troque urgentemente suas lentes. O mundo continuará te vendo e te fazendo querer acreditar que não passa de um dentinho insignificante e substituível. MAS VOCÊ NÃO É O QUE O MUNDO DIZ. VOCÊ É O QUE DEUS DIZ A SEU RESPEITO.

Simples assim.

Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais. (Jeremias 29:11)

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