Uns dois ou três dias atrás fiz algo que há muito tempo abandonei. Numa rede social, após ver a postagem que me chamou a atenção – de temática que poderia gerar alguma controvérsia – notei que o número de comentários era bem alto. Cliquei e comecei a ler. Os minutos tomados foram cerca de 4 ou 5, não mais que isso. Tempo desperdiçado, claro; como quase sempre é nesses ambientes de discussões virtuais.
Eu já fui um aguerrido debatedor (ou discutidor), conforme expus no escrito 025 O EX-POLEMISTA. Daqueles de postar aguerridamente sobre o tema do momento – ao menos na minha percepção de relevância – e também de interagir consistentemente a partir das postagens de outras pessoas. Conforme minhas próprias palavras no 025, publicado pouco mais de 1 ano atrás, era desse jeito:
“No Face, embora já com a agressividade nas palavras sob controle, eu não me furtava de falar sobre tudo. Política, em especial. Acompanhava avidamente os acontecimentos, tirava o print de alguma notícia, e blá blá blá despejar minhas ideias. Rolava alguma influência nas pessoas? Acredito que sim, até onde sei. Pessoas não apenas curtiam, mas também comentavam, e sei que muitas se alinhavam ao “geralzão” do meu pensamento sobre Brasil, política e outras coisas bem complicadas de resolver. Até que um dia fiz uma postagem que repercutiu de uma maneira diferenciada. Postei numa noite, para na manhã seguinte descobrir que havia mais de 2 mil compartilhamentos, com milhares e milhares de mensagens, 50% me chamando de santo, e 50% de demônio. Alguma semelhança com os dias de hoje? (...) O pior, é que eu me dei ao trabalho de responder a cada uma – cada uma mesmo, 100% - daquelas milhares de mensagens, explicando para a imensa maioria que só leu a manchete e viu as imagens, sem ler o texto completo, ou compreendê-lo minimamente, que elas estavam me xingando por nada. Quem então se deu ao trabalho de ler, ou pediu-me desculpas pelo xingão, ou então soltou um lacônico “Ah, blz. Agora entendi”. Foram aproximadamente 3 dias para a coisa esfriar. Ao final, uma sensação estranha. Aqueles xingamentos todos, gente dizendo que eu era pior do que lixo, um ser desprezível, um cara que nem merecia viver, etc, etc, etc...”
Confesso que quase agreguei mais um dígito no elevado número de comentários da postagem que li nessa semana passada. Não o fiz. Seriam apenas palavras ao vento. Se algum tempo fora irremediavelmente perdido na leitura do debate por comentários, não haveria sentido em perder mais algum, por menos que fosse, dando minha contribuição para a construção de NADA. Porque é este o resultado de praticamente qualquer debate hoje em dia. Pessoas digladiando-se para provar que estão certas. O foco está nelas mesmas, em prevalecer, derrotar o outro. Nenhum foco sincero na busca da melhor compreensão sobre o objeto da conversa, ainda mais se isso as levar a admitir que estavam inicialmente equivocadas. Imagina! Afinal de contas, como pessoas convictas poderiam estar erradas sobre algo?
Felizmente, não caí na cilada. Não entrei no jogo. Fui investir meu tempo em algo muito mais produtivo, como uma soneca em fim de tarde, ou lavar a louça, ou sair para um treino de bike.
“O homem sábio que pleiteia com o tolo, quer se zangue, quer se ria, não terá descanso”. (Provérbios 29:9)
Não há tempo a perder. Nem para se cansar com debates inúteis. Fica a dica. Pense nisto na próxima vez que uma isca passar roçando na beiça.
Muito bom!
ResponderExcluirPerfeito!
ResponderExcluirExcelente
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