De onde vêm as Guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a
saber, dos vossos deleites, QUE NOS VOSSOS MEMBROS GUERREIAM? Cobiçais, e nada
tendes: matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e
guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Adúlteros e adúlteras, não sabeis
vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que
quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou cuidai vós que em
vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes? Antes, ele dá
maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos
humildes. Sujeitai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos,
pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas
misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso
gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará. (Tiago
4:1-10)
Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele
me matou. E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom. Logo
tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum; mas o pecado, para que se
mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento
o pecado se fizesse excessivamente maligno. Porque bem sabemos que a lei é
espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque não faço o bem que
aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se
faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já
não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em
mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está
em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o
mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu,
mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero
fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer
na lei de Deus; mas VEJO NOS MEUS MEBROS OUTRA LEI, que batalha contra a lei do
meu entendimento, e me prende debaixo da LEI DO PECADO QUE ESTÁ NOS MEUS
MEMBROS. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Dou
graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o
entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado. (Romanos
7:11-25)
Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de
cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de
cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está
escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar,
então também vós vos manifestareis com ele em glória. MORTIFICAI, POIS OS
VOSSOS MEMBROS, que estão sobre a terra: a fornicação, a impureza, a afeição
desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais
coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais, também,
em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas. Mas agora, despojai-vos também
de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da
vossa boca. Não mintais uns aos outros, pois já vos despistes do velho homem
com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento,
segundo a imagem daquele que o criou; onde não há grego, nem judeu,
circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é
tudo, e em todos. Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de
entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade;
suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver
queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E,
sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição. E a paz de
Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine os vossos
corações; e sede agradecidos. A palavra de Cristo habite em vós abundantemente,
em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com
salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso
coração. E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do
Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. (Colossenses 3:1-17)
Como diriam os mineiros: NUUUH!!! (traduzindo para o restante do Brasil:
NOSSA!!!)
Três textões daqueles! Dos que a gente lê, relê, lê, relê... pra começar
a entender um pouco, e de repente notar um outro detalhe, que se liga a outro,
e outro. Bem, isso cada texto em si, isoladamente, já tem. Aí venho eu e
misturo os três, como que pegando três novelos de linha e fazendo um emaranhado
caótico. As lembranças me levam naturalmente a uma situação bem inusitada. Em
um dos namoros que tive, auxiliei a digníssima na arrumação de um salão para
uma festa caipira que haveria em seu condomínio. Diversas linhas com bandeirolas
foram trazidas e uma das minhas funções na arrumação era esticá-las no espaço
sobre nossas cabeças. Ficou incrível! Linhas com bandeiras para lá e para cá,
se cruzando e entrecruzando, nas mais variadas e possíveis direções. Era entrar
no salão e ser impactado por aquela visão magnífica. Para ficar ainda mais top,
nos pontos de intersecção de várias linhas foram colocados alguns balões.
Sucesso! Um salão espetacular.
Na manhã seguinte veio o trabalho difícil. Engraçado que normalmente é o
contrário: a arrumação é muito trabalhosa e demorada, e a desmontagem tende a
ser simples e rápida. Só que nessa situação específica tinha um componente
inesperado. Embora eu mesmo tivesse montado toda aquela estrutura pendurada
sobre nossas cabeças, fui fazendo de forma espontânea, na base do “estica essa
pra lá”, “estica aquela pra cá”, e não tinha como lembrar certinho onde a coisa
toda começava e/ou terminava. Tinha virado um novelo com muitas linhas. O
componente inesperado foi: “Fernando, as bandeirinhas de tecido não são minhas,
mas emprestadas de Fulana, e são bandeirinhas que ela usa faz décadas (tipo
relíquia de família), então nem pense em danificá-las. Preciso devolver tudo
bonitinho, do jeito que vieram. Nem pense em partir as linhas e depois emendar,
porque Fulana vai notar”. Pensei, “Lascou!!!”. E ia eu lá imaginar, quando
daquela esticação toda de linhas, que em meio a bandeirolas nitidamente
descartáveis, havia também um “tesouro familiar”?! Bandeirolas que tinham sido,
sei lá, da tatataravó da bendita Fulana?
Mas aí o rolo (literalmente) já estava feito. E eu tinha que
desenrolá-lo. Contarei o desfecho no final deste escrito.
E cá estou eu novamente, fazendo mais ou menos a mesma coisa. Puxa uma
linha de textos pra lá, outra pra cá, cruza tudo, e vamos ver no que vai dar. A
diferença é que naquela festa caipira eu tinha algo especial (para alguém)
embolado com bandeirolas descartáveis, enquanto aqui temos apenas coisas
especiais. Porções riquíssimas e complexas da Palavra, cada uma consistente num
grande desafio de compreensão, se consideradas isoladamente, e quanto mais se
torna imensamente maior o desafio de olhar para estes três textos em conjunto.
Mas vamos tentar. Bora organizar essas bandeiras e ver se conseguimos um salão
maravilhoso como aquele da festa no condomínio da ex-namorada.
Hoje falarei sobre O PIOR DE MIM.
Quando pequeno,
eu batia nos meus irmãos. Especialmente no Marcelo, o irmão do meio, que tinha
o dom da provocação. Na Pri era menos. Ela era fisicamente mais frágil, e eu
todo grandão para minha idade; então, qualquer empurrão meu e já rolava um
“Mãããe, o Fer me bateu”. Mas bateeeer, bater, bater mesmo, não. É possível que
eles digam o contrário, pois nessas coisas cada um tem sua própria perspectiva.
O que para mim talvez tenha sido um tapa bobo, na pele de quem levou pode ter
ficado marcado como uma violência. Sempre penso nisso, no quanto coisas bem
pequenas ocorridas em nossa infância tem o potencial de nos marcarem para
sempre. Qualquer toque na infância pode gerar efeitos positivos ou negativos
muito intensos.
Mas tirando
esses entreveros caseiros, aquilo que eu chamaria de briguinhas naturais entre
irmãos, o fato é que dos muros para fora eu pouquíssimas vezes evidenciei
violência física contra outras pessoas, em todos esses anos de vida até aqui.
Nunca dei um tapa numa pessoa. Nunca desferi um soco no rosto de alguém. Em
três únicas oportunidades, algo classificável como violento aconteceu comigo.
Aos 10 anos
de idade, numa discussão no campo de futebol da escola, dei tipo um pé-na-bunda
num garoto que folgava demais com os outros. Por ter um irmão mais velho para protegê-lo,
ele agia assim. Como eu era grandão para minha idade, interferi numa dessas
situações e o coloquei no lugarzinho dele, para depois colher semanas e mais
semanas com o tal irmão mais velho me cercando na saída da escola para tentar
“vingar” o pé-na-bunda. Até que um dia, enquanto soltava pipa, ele me pegou
desprevenido e devolveu na mesma moeda. Semeei pé-na-bunda, colhi na mesma
espécie. Isso aconteceu em Pirapozinho/SP.
Uns 6 anos
depois, em nossa segunda passagem por Cianorte, novamente num campo de futebol
rolou um entrevero entre o pessoal. Um jogo que era para ser amistoso, mas
começou a ficar aguerrido. Um carinha bem maldoso fazia muitas faltas desleais,
distribuía cotoveladas, paulistinhas, socos nos rins do pessoal do meu time. E
eu ali, só esperando a hora que ele tentaria um lance desses comigo. Foi dito e
feito. Veio a canelada, voltou a bicuda que levantou o piá do chão. Fomos os
dois expulsos do jogo. Salvo engano, minha única expulsão em toda a vida. E o
carinha me encarando, jurando que ia ter volta, que ia falar com os caras da vila
e tal, e não-sei-quê, e sei-quê-la... e eu só olhando, até que mandei um “Pode
chamar! Pode chamar quem você quiser da tua vila. Tenho medo não”. Palavras
valentes... de um adolescente que não sabia brigar.
Novamente,
dito e feito. Cena parecida com a de 6 anos antes. Os tais caras da vila
cercando a saída da minha escola um dia após o outro. Eu era ligeiro e ligado
nas movimentações. E como tivesse um amigo que morava perto, pulava o muro e ia
para a casa dele, onde almoçava e assim o tempo passava. Os caras desistiam de
esperar e assim se passava mais um dia. Eles se ligaram no lance da corrida até
a casa do meu amigo, mas ainda assim não me pegavam. Eu variava as rotas de
fuga. Fiquei expert. As semanas se passaram, os caras sumiram, e o final do ano
chegou. “Escapei”, foi meu pensamento. E justamente quando baixei a guarda, fui
pego no contrapé. Último dia de aula, todo aquele congraçamento entre os
colegas, galera escrevendo de canetinha nas camisetas uns dos outros – para guardar
de lembrança –, farinha e ovo na cabeça, aquela zoeira. Tempos legais. E a
gente subindo em turma numa daquelas largas avenidas próximas ao Colégio
Estadual Cianorte, quando de repente eu vi que estava cercado.
Uma galera
fechando a rua de baixo, outra a rua de cima, e eu no meio. Pensei “Lascou, vou
ser linchado hoje”. Havia vários colegas de sala meus naquele dia, alguns que
sabiam da ocorrência no jogo, meses antes, e que se dispuseram a ficar ali
comigo e me defender numa briga coletiva. A verdade é que não teríamos a menor
chance. Os caras estavam em número muito maior, e eram acostumados com brigas.
Eu e meus colegas éramos adolescentes da escola, mais preocupados com o
vestibular que se aproximava, do que com tretas e porradaria na rua. Falei para
eles seguirem, que eu resolvia a situação sozinho. “Resolver” no sentido de
passar por aquilo sozinho (apanhar sozinho), pois na verdade era um problema só
meu, e não deles. Eles se afastaram e aos poucos se aproximaram o carinha do
jogo e um outro cara, mais velho e bem mais forte. Acho que era o irmão do piá.
Lembro-me que o cara falou “Isso é entre vocês dois. Se ninguém dos seus amigos
entrar, nosso pessoal também não entra. Resolvam aí!”.
O carinha
mais novo, meio perplexo, deu aquela olhada pro irmão num jeitão de “Como
assim?!”, achando que viriam ele e mais a vila toda pra me encher de porrada.
Mas o negócio era entre nós dois mesmo. O mais velho se afastou um pouco. Meus
amigos e amigas da escola todos por ali ainda. Nós dois no meio de um canteiro
de grama em uma avenida, rodeados de gente. Uma típica cena dessas de filme da
Sessão da Tarde, que passavam por aquele início dos anos 90. Eu não sabia
brigar, efetivamente. Era maior e nitidamente mais forte que o carinha. E
aquele dilema: “Seu eu moer ele no pau, certeza que a galera da vila vai
entrar, aí ferrou”. Ele tentava me chutar, me socar, dar umas voadoras bem sem
noção, e eu ia desviando. Mas eu não batia, pelo temor de os caras da vila
entrarem. Os minutos foram se passando e nada. Foi como um primeiro round
dessas lutas que assistimos e ficamos bem irritados com os lutadores, pois só
se estudam. O irmão mais velho do cara foi ficando sem paciência: “Vai logo!
Vocês não sabem brigar?!”
O carinha
se animou e veio com mais ímpeto, acertou um chute nas minhas pernas, tentou
mais alguns golpes e tal, e tudo voltou à enrolação do round anterior. Chutes
no ar, socos no ar, voadoras frustradas, até que o árbitro interrompeu
definitivamente o “combate” por falta de combatividade. Pegou o irmão mais novo
pelo braço e foram saindo. Tudo isso deve ter durado no máximo uns 5 minutos. A
adrenalina baixou. Meus amigos ainda estavam por perto. Reuni-me a eles e segui
embora para casa, no meu último dia de aulas em Cianorte, e a última vez na
vida em que vi a maioria deles, pois naquele final de ano finalizamos nosso
tempo ali, para em 1994 passarmos a morar em Cascavel/PR. Resumindo: eu semeei
um chute nas pernas do piá no campo de bola, e colhi um chute nas minhas no
canteiro da Av. São Paulo.
A terceira
e última vez que coloquei as mãos em alguém, no sentido de uma atitude de
força, ocorreu muitos anos depois. Em 2012 ou 2013, aproximadamente. Um homem
tentava agredir uma mulher e eu entrei na cena. Ele estava montado sobre ela,
praticamente como fazem os lutadores quando passam as duas guardas de quem está
por baixo, podendo socar livremente a face. Eu o agarrei pelas costas, travei
bem e o retirei de sobre a mulher. Foi como pegar um fardo de feno. Não era um
homem grande; deveria ter seu 60 e poucos quilos. Eu, com quase 80, muito mais
forte que ele. Por mais força que ele fizesse, não sairia nunca daquela
“chave”. Lutou, lutou, fez força. E a chave fechada para ele. Até que se
acalmou, começou a chorar e caiu em si. Soltei e tudo terminou bem. Umas
cervejas a mais o levaram àquela situação. Felizmente, sem maiores
consequências.
Como visto,
meu histórico de violência não impressiona muito. Umas briguinhas de criança
com irmãos. Um entrevero aos 10 anos. Outro entrevero ao 16. Uma apartada de
agressão aos 30 e poucos, e só. Nada que me habilite para um card preliminar
nesses eventos de lutas. Eu não teria a menor chance. Não contra caras
preparados, claro. Numa hipotética situação real da vida, não sei. Nunca
sabemos do que somos capazes, até que a coisa acontece de verdade. Algum
preparo, temos. Fiz artes marciais em algumas oportunidades ao longo da vida.
Muay Thai e Boxe, basicamente. Bem basicamente. Em lutas de solo, conhecimento
praticamente zero. Eu seria facilmente vencido por alguém que tenha um
jiu-jitsu feijão-com-arroz.
A verdade é
que espero jamais descobrir seu eu venceria ou não um combate real. Porque
violência não é bom. Não é algo que quero presente na minha vida.
Certo,
certo. E o que tudo isso que falamos acima tem a ver com os textos iniciais?
Que embolada foi essa no novelo de linhas?
Vamos lá.
O primeiro
texto começa indagando “De onde vêm as
Guerras e pelejas entre vós?”. A resposta é dada a seguir: “Porventura não vêm
disto, a saber, dos vossos deleites, QUE NOS VOSSOS MEMBROS GUERREIAM?” O
segundo e o terceiro textos também falam dos NOSSOS MEMBROS. Nitidamente,
trata-se da nossa carne. Estamos em carne. Ainda sujeitos às fraquezas da carne,
O deleitar-se tem a ver com sensações prazerosas. A guerra nos membros
tem a ver com batalhas que ocorrem na nossa mente.
Quando falamos em CARNE, embora possamos, equivocadamente, pensar que se
trata apenas do físico, o fato é que a questão profunda está na mente. O grande
campo de batalha do ser humano é sua mente. Dentre os livros muito bem
recomendados que ainda não li, um que está na lista é o conhecido “Campo de
Batalha da Mente”, de Joyce Meyer. Só conheço o título. Não li sinopse. Ouvi um
ou outro comentário positivo de pessoas, na época em que o livro esteve mais em
evidência no Brasil, mas o fato é que o título é tão bom, mas tão bom, que sua
mera menção já produz uma ideia do que vamos encontrar.
E sabe, NA MINHA MENTE EU SOU MUITO VIOLENTO. Já bati em muita gente. Já
dei voadora. Já dei tiro, porrada e bomba. Por vezes visualizei o filminho
completo de brigas de cinema, que deixariam Jack Chan no chinelo. Tudo isso, de
um cara que na vida toda deu uns petelecos nos irmãos mais novos, um
pé-na-bunda do piá folgado da escola, uma bicuda nas pernas do jogadorzinho
maldoso, e uma chave no bêbado que queria bater na mulher. Violência efetiva,
quase nenhuma. Nada que me levasse sequer para um depoimento em delegacia hoje,
que sou maior de idade. Mas violências tantas e tão graves aqui na mente, que
me condenariam ao fogo do inferno, se não fossem a Graça e o Perdão de Deus
sobre tais pecados.
Pecados, Fer? Mas esses filminhos violentos ficaram apenas no campo da
imaginação, sem produzir consequência alguma.
Hummm... será mesmo?
Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum
homicida tem a vida eterna permanecendo nele. (1 Jo 3:15)
Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar
será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se
encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a ser
irmão: Raca! será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu
do fogo do inferno. (Mateus 5:21-22)
E ainda tem este terrível:
Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém,
vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu
coração cometeu adultério com ela. Portanto, se o teu olho direito te
escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se
perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
(Mateus 5:28-29)
E vários outros exemplos semelhantes no mesmo capítulo 5 de Mateus.
Mas daí aparece a galerinha da HIPERGRAÇA, sugerindo que agora é tudo
molezinha, que foi tudo resolvido na cruz, que no final tudo vai dar certo para
todos, e que claro que Deus entende a nossa carne fraca.
Não, não.
Uma coisa é Ele saber que somos fracos. Outra coisa bem diferente é Ele
dizer “tudo bem” para isso.
Ele não diz.
O nível foi elevado no tempo da Graça. O adultério, que antes precisava
da conjunção carnal para se concretizar, agora está feito com a mera cobiça do
corpinho alheio. O homicídio, que antes precisava de um ato físico de violência
extrema, agora está consumado com um “simples” estado de cólera contra o outro,
ou um “inocente” xingamento.
O caminho é estreito mesmo, brother.
O carinha com 2 ou 3 episódios violentos em toda a vida, coisa que não
assustaria quase ninguém, pode estar em péssimos lençóis diante de Deus, pelas
cóleras que sente seguidamente no seu dia a dia, sem nunca ter concretizado
nada no mundo real. Mas o mundo real para Deus é mais amplo. Ele não se deixa
enganar por uma conduta externa irrepreensível, se no íntimo há um coração
cheio de ódios, violências e contendas.
Não por acaso, é dito na mesma Palavra que “Sobre tudo o que se deve
guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”.
(Provérbios 4:23)
Seguidamente eu me vejo envergonhado perante o Senhor, pelos episódios de
violência que ocorrem na minha mente e coração. Pelas discussões que tenho
sozinho com outros. Pelos adultérios envolvendo pessoas que nem imaginam já
terem sido cobiçadas por mim. Pela cobiça de coisas que não me cabem. Por “n”
pecados efetivados na minha mente e coração, sem que minha conduta exterior irrepreensível
jamais dê qualquer pista do que ocorre nos porões da minha vida.
“Credo, Fer! Você está me assustando”.
Pois é, pois é. Ou encaramos de frente nossas mazelas agora, e as
resolvemos, ou as encararemos num dia futuro perante o Justo Juiz, quando nada
mais poderá ser feito, além de se ouvir a pior sentença jamais imaginada,
descrita no capítulo 25 de Mateus:
Em verdade vos digo que vos não conheço (verso 12). Apartai-vos de mim,
malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos (verso 41-b)
Pesadão, né?!
Uhum. São essas apenas algumas LETRINHAS PEQUENAS do escrito 045. A
Bíblia está cheia delas. Um “evangelho fofo” e fácil de tocar com a barriga
pode ser legal para encher templos climatizados, mas a verdade é que o caminho
estreito é dureza. Não basta cumprir exteriormente um punhado de regras e
passar uma aparência de virtude. Tem que ter virtude mesmo, 100%, até nos mais
profundos compartimentos da nossa vida. Quantas e quantas vezes eu sinto
vergonha de coisas que penso, de juízos que faço sobre os outros, de violências
que pratico nos meus “filminhos de luta” na cabeça, das mulheres com quem me
relaciono sem elas terem a menor ideia disso, e etc, etc, etc...
“Credo, Fer! Agora você está me assustando mesmo. Precisa se expor assim?
Pra quê isso?”
Sabe, haverá um dia em que todos compareceremos diante do Senhor. Todos
os nossos atos, todos os nossos pensamentos, tudo que tenha a ver conosco será
colocado diante dEle. Naquele dia, Ele não estará no Trono Branco como Pai
Amoroso, mas sim como Justo Juiz. As oportunidades para arrependimento e
conserto terão findado. A Graça e o Perdão estiveram disponíveis todo o tempo.
Naquele dia, não mais. Naquele dia a conversa será outra. Alguns ouvirão o tão
sonhado “Vinde benditos de meu Pai”; outros o desesperador “Afastai-vos de mim
malditos”; e tanto uns quanto outros terão suas vidas inteiramente expostas.
Não apenas a Ele, mas também a toda a grande assembleia reunida em Sua presença.
Não será uma audiência a portas fechadas. Será o julgamento mais “televisionado”
da história. Até os pensamentos serão vistos. Vistos e julgados.
Se isso não te causa algum nível de temor, eu não sei o que mais poderia
fazê-lo.
A mim me causa. Não gosto de muitas coisas que penso. São feias. Minha
conduta exterior ilibada nem sempre bate com coisas que ocorrem apenas no campo
das ideias. Calma, não sou um malucão psicopata. Mas... seu eu fosse, eu diria
a você para ter calma, pois não sou um malucão psicopata. Então, como ter
certeza? Que dilema, né?! O fato, o grande fato, é que nossas manifestações
exteriores podem comunicar às pessoas uma realidade muito diferente do que é a
verdade sobre nós.
O que fazer?
Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não
ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que
o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra
todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as
coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém
sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. Mas nós não recebemos o
espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos
conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. As quais também falamos, não
com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espírito Santo
ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais. Ora, o homem
natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem
loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas
o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. Porque,
quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? MAS NÓS TEMOS A
MENTE DE CRISTO. (1 Coríntios 2:9-16)
Resposta: buscar a mente de Cristo.
A Palavra afirma que ele nunca pecou. Nem por ações. Também não por omissões.
Em nenhum pensamento. Tampouco por intenções. Nada. Perfeito. Irrepreensível em
tudo. E o fez como homem. Venceu o pecado. Ele, ele mesmo, que subiu o nível de
exigências em relação à Antiga Aliança, fez por onde e mostrou que é possível.
Eu quero ter a mente de Cristo. Agir como ele. Reagir como ele. Pensar
como ele. Não pecar como ele. É possível. Fácil, não. Mas possível. Um caminho
para toda uma vida. Como dizia o mesmo Paulo, já citado em vários textos
bíblicos deste escrito:
Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço,
e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que
estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de
Deus em Cristo Jesus. (Filipenses 3:13-14)
Um escrito relativamente confuso, eu sei. Lembre-se que, à semelhança da
alegoria inicial, fiz dele um novelo com muitas ideias. Várias pontinhas estão
aí. Puxe uma e vá encontrando aquilo que o Senhor pode trabalhar em sua vida.
Na minha, o que foi ministrado pelo Espírito Santo e é meu desafio diário, eu
colocaria como TER MEUS PENSAMENTOS TOTALMENTE GANHOS PELO SENHOR. Pensar nas
coisas do Alto, todo o tempo. Olhar com olhos santos. Tocar com mãos
abençoadoras. Falar apenas e tão somente o que edifica. Remir o tempo. Viver totalmente
para o louvor da Sua Glória.
Coisas basiquinhas. NUUUH!!!
E pra fechar, o final da história da festa caipira:
Claro que deu tudo errado. O emaranhado de linhas de bandeirolas ficou “desimbolável”.
E a então namorada só de “rabo-de-zóio” me filmando. Umas franzidas na testa.
Todo o restante do salão já desmontado e o Fer ali, lutando com o novelo
impossível. Até que ela sai de onde está, pega da minha mão o nó-cego e vai
arrebentando linha por linha, olhando bem fixamente pra minha cara. Dava pra
ver que ela queria que aquelas linhas fossem meus ossos, rs. “Eeee, Fer...”,
foi sua única manifestação verbal. Mas no íntimo, silenciosamente, com toda
certeza, ela me deu uns bons petelecos, ou me xingou, ou me matou. Assim como
eu já fiz. Como você também já fez.
Quem de nós poderia atirar a primeira pedra?
O único que podia ter feito isso, em toda a História, não o fez.
Eu quero ter a mente de Cristo.
O pior de mim está onde nenhuma pessoa pode olhar. Por isso preciso, tão
desesperadamente, da mente dEle em mim.