sexta-feira, 9 de abril de 2021

005 SEXTOU

“Não me arrependo de nada! Só me arrependo daquilo que não fiz!”. Uoooow, aí sim! Esse aí viveu, fez tudo, chapou, esmerilhou. Sem remorsos, sem olhar para trás, sem arrependimentos. Sextou, bebê! Dia de colocar tudo para fora e fazer coisas que mamãe nem sonha. Parece bom, né?! Quem dera todos pudessem chegar assim ao final da caminhada, tendo feito tudo, com nada por se arrepender. Vida plena. Liberdade.

Essa ideia foi cunhada com os mesmos ingredientes enganosos de uma outra, muito em voga: “Nada é errado, se te faz feliz!”. Doce mentira, que soa como música aos ouvidos de um mundo que não aceita o confronto. Cada um vive como quer, faz o que quer, escolhe seu próprio caminho... e ai de quem se levanta para dizer um “a” em contrário. “Discurso de ódio!”. “Fundamentalismo!”. “Seus radicais!”. “Só Deus pode me julgar!”.

 

Beleza então. Se é verdade que só Deus pode te julgar, isto não te preocupa?

 

“Ih, lá vem...”

 

“Deixando de curtir o blog em 3, 2, 1...”

 

“Fui!”

 

Tranquilo, pessoal. A ideia com estes Escritos Aleatórios não é colecionar visualizações, likes, curtidas ou comentários elogiosos. A porta sempre foi serventia da casa. Ninguém é obrigado a ouvir/ler o que não quer, mas eu me vejo na obrigação de falar o que penso. É mais do que um passatempo ou modinha. É para mim um encargo (talvez falemos disto em textos futuros). O resultado deste falar, será uma de três reações: adesão, rejeição ou indiferença. Toda mensagem tem o potencial de gerar isso. Amor ou ódio, em especial; e alguns a ignoram. Vida que segue.

 

Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”. Palavras ditas por um homem que confrontou sua geração. João Batista, primo e precursor de Jesus. A voz que clamava no deserto, aquele que preparou o caminho do Senhor. Um carinha “mais ou menos”, sobre quem está escrito que “dentre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João”. Acredito que não houve antes, não havia na época, e não houve maior depois. Um cara muito especial. Ele não foi o fundador da Igreja. Ele não foi o Apóstolo dos Gentios. Mas creio mesmo que o esquisitão do deserto foi, neste plano, maior do que todos os outros.

 

João não apareceu com mensagem palatável, rede social descolada, foto de perfil com tratamento, estratégias de impulsionamento e alcance. Não. Ele apareceu com seu estilo de vida excêntrico – vivia no deserto, comia mel silvestre e gafanhotos, vestia-se com pelos de camelo e cinto de couro – e, sobretudo, apareceu com uma mensagem muito, muito dura: “Arrependei-vos!”. O resultado: em 3, 2, 1... começava o primeiro cancelamento da Era Cristã. Os detalhes da história estão naquele bom e velho livro de capa preta.

 

Ele não apareceu para colecionar seguidores. Não. Não era dono deles, assim como não somos dos que achamos que temos hoje em nossas redes sociais. Tempos depois de começar suas andanças e “falanças”, quando o Caminho chegou, encarnado, cheio de Graça e Verdade, os seguidores de um e de outro se viram em certa divergência. João não pensou duas vezes: transferiu todos os seus seguidores para aquele que veio após ele. Porque importava que Ele crescesse, e Joãozinho diminuísse. Detalhes da história, novamente no livro de capa preta.

 

Quantos de nós estamos dispostos a transferir todos os nossos seguidores para alguém? Tirar o foco do EU, do MEU, e dizer: “Não olhe para mim. Olhe para Ele”. Pois fazer discípulos é exatamente isso: levar alguém que olha hoje para você, a olhar para um outro alguém, maior do que você. O Caminho, Verdade e Vida.

 

Se José, filho de Israel, é meu personagem favorito no Antigo Testamento, tranquilamente vejo em João Batista a mesma proeminência no Novo. Alguém de quem os registros foram poucos, comparativamente com “Os Doze”, Pedro (em especial), Paulo, João. Às vezes tenho a impressão de que ele é visto por muitos como nota de rodapé. Alguém que se não estivesse lá, não faria diferença. Discordo, claro. E sinto informar que, ainda que ele fosse uma nota, há notas fundamentais para a compreensão de toda a história contada nas muitas páginas seguintes. Talvez por isso, sempre receoso de perder uma chave de compreensão, tenho por hábito ler cada minúscula notinha de rodapé, de cada livro que já me passou pelas mãos. Fica a dica.

 

Prossigamos. Algo que me chama a atenção, é que “desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”. A mesmíssima mensagem desconfortável de seu predecessor. Mesma e dura mensagem. Despertando os mesmos amor e ódio nas pessoas. E a terceira via, a da indiferença? Novamente sinto informar que o “em cima do muro” não deixa ninguém seguro. O Senhor disse que quem não é com Ele, tem a mesma condição dos que são contra. A verdade é que a terceira via não existe. Só dois caminhos. Ou se está num, ou noutro.

 

Vivemos tempos onde não se pode falar nada. Apontar nada. Sugerir nada. Qualquer palavra desconfortável aos ouvidos é tomada como discurso de ódio. Mas não, não é. Pelo contrário. A palavra de amor pode ser – e efetivamente é – justamente aquela que mais nos confronta. Dizemos por aí que o verdadeiro amigo é aquele que diz as verdades que ninguém mais tem coragem de dizer, mas quando o Verdadeiro Amigo falou, ou algum discípulo dele fala hoje, aí não rola. Aí vira discurso de ódio, fundamentalismo, “estão me julgando”. Não. Não é isso. É amor, embora incompreendido. Ele disse que seríamos odiados por cumprirmos o encargo. Sem surpresas, portanto.

 

“Deixa disso Fer! Deixe cada um vier como quiser. Não julgue você também. Cadê o Evangelho do Amor?”

 

Julgo não. Estou apontando o dedo não. Quem sou eu para julgar? Quem sou eu?

 

Sei quem sou. Sou o primeiro a me arrepender. Eu poderia (e posso) viver como quisesse, mas a mensagem do arrependimento me alcançou. Se a mensagem de João, e a subsequente mensagem de Cristo fossem “Hei mundo, tudo bão co´cêis?! Vivam como quiserem! Está instalado o Reino do Amor Sem Limites”... então eu me sentiria confortável para viver como quisesse. Mas não foi isso que ele e Ele falaram. Não foi isso que os Doze falaram. Nem Paulo falou. Nem os mártires do início falaram. Nem os muitos que vieram nos 20 séculos seguintes falaram. E não é isso que a Igreja fala hoje.

 

A mensagem do arrependimento não mudou. Ela está posta. Aderir ou não, é com cada um.

 

Sextou!

Um comentário:

  1. "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas".Apocalipse 3:22

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