Analisando
uma semana padrão da minha rotina, encontrei a seguinte média por dia:
Sono/Descanso - 8 horas
Trabalho - 7 horas
Leitura/Escrita/Estudos - 2 horas
Atividade Física - 2 horas
Entretenimento (música/tv/rádio) - 2 horas
Manutenção da casa - 1 hora
Cuidados pessoais - 1 hora
Deslocamentos - 1 hora
Tempo com Deus - 1 hora
Igreja e Ministérios - 1 hora
Família e Amigos - 1 hora
Alimentação - 1 hora
Burocracia (contas, pagamentos, e-mails) - 1 hora
Outros - 1 hora
Um dia de 30 horas!? Como assim?
A lista é falha, claro. Assemelha-se a uma velha mensagem que circulou anos atrás, pontuando todos os dias de feriados para um trabalhador no Brasil, mais férias, pontos facultativos, afastamentos, etc… “provando por A + B” que essa pessoa trabalhava no máximo 1 mês por ano. A malandragem da conta estava na sobreposição: um mesmo dia continha, simultaneamente, várias daquelas rubricas, mas era contado uma vez para cada uma delas, fazendo um dia valer por 2, 3 ou mais. A contagem era sobreposta, de forma errônea e intencional, mas bem criativa.
No cálculo dos 30 dias trabalhados por ano no Brasil, essa fórmula não vale. Entretanto, entendo que na contabilização do tempo utilizado em nossas tarefas diárias, serve sim. Afinal, somos multitarefas. Semelhantemente aos nossos computadores e smartphones, não focamos numa única atividade por vez, pausando todas as demais. Nossa RAM é potente. As demandas são numerosas e não podemos nos dar ao luxo de focarmos numa só, para somente depois na seguinte, e assim sucessivamente.
Ou você tem dúvidas de que nos 15 minutos da minha ida do trabalho até o banco eu realizei várias coisas simultaneamente?! O deslocamento em si; atividade física (caminhada leve); estudos (podcast rolando no fone de ouvido); alimentação (açaí com creme de morango que peguei e fui comendo); uma atividade burocrática prevista na agenda (depósito de cheques). Isso se formos muito conservadores, pois posso nesse trajeto ter encontrado um amigo, feito uma oração, dado uma esmola, lido e respondido várias mensagens, passado uma orientação por whatsapp ao estagiário, etc.
Tudo acontece ao mesmo tempo. Quinze minutos não são apenas 15 minutos. Temporalmente falando, sim. Mas no campo das realizações, tornamos esse período muito maior. Quinze minutos podem valer por 1 hora! Eu sei disso e você também sabe. Nossos filhos ou sobrinhos de 10 anos sabem. Na verdade, nós nos movemos no ritmo da nossa época e tudo nos parece natural, porque não conhecemos outra forma. Ou, ao menos, não nos damos conta de que pode haver outros jeitos.
O ritmo que vivemos hoje é impensável para os povos da Antiguidade, bem como para as gerações de alguns séculos atrás, e até mesmo para nossos pais ou avós. Se eu pensar nos meus - já falecidos - vivendo meu ritmo de hoje, acho que seria complicado. Falo de pessoas nascidas nos anos 20/30 do século XX, num mundo muito diferente. Avançando para os bebês dos anos 40/50 (meus pais), percebo-os um pouco mais inseridos nessa “roda vida”, mas não totalmente. Rola um descompasso. Há dificuldades para acompanharem o ritmo da minha geração, e mais ainda o ritmo dos netos.
Na minha geração - galerinha top nascida nos anos 70/80 - encontramos as pessoas que literalmente viveram a transição da era analógica para a digital. Uns com mais facilidade - como meu irmão -, outros sem nunca entender plenamente o funcionamento dos aparelhos eletrônicos em suas mãos (eu), mas nos adaptamos e aprendemos a viver assim, na velocidade alucinante de hoje. Por termos experimentado uma infância e juventude mais tranquilas, lá no fundo sabemos que existem jeitos mais leves e gostosos de viver. Aquelas memórias emocionais positivas.
Mas, afinal, qual o propósito com esse palavrório todo sobre tempo e multitarefas?
Desde sempre, ouço/vejo pessoas reclamando que o tempo é escasso para tudo que precisam fazer. Concordo, em parte. Acho mais válido dizer que há pouco tempo para realizar tudo o que precisa ser feito, bem como para dar conta do que inventamos fazer e, claro, também para fazer aquilo que não tem o menor sentido fazer, mas continua sempre e sempre na nossa agenda. Este é o ponto.
Muito bom!!! Preciso aprender com vc.
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