“Não me arrependo de nada! Só me arrependo daquilo que não fiz!”. Uoooow, aí sim! Esse aí viveu, fez tudo, chapou, esmerilhou. Sem remorsos, sem olhar para trás, sem arrependimentos. Sextou, bebê! Dia de colocar tudo para fora e fazer coisas que mamãe nem sonha. Parece bom, né?! Quem dera todos pudessem chegar assim ao final da caminhada, tendo feito tudo, com nada por se arrepender. Vida plena. Liberdade.
Essa ideia foi cunhada com os mesmos
ingredientes enganosos de uma outra, muito em voga: “Nada é errado, se te faz
feliz!”. Doce mentira, que soa como música aos ouvidos de um mundo que não aceita
o confronto. Cada um vive como quer, faz o que quer, escolhe seu próprio
caminho... e ai de quem se levanta para dizer um “a” em contrário. “Discurso de
ódio!”. “Fundamentalismo!”. “Seus radicais!”. “Só Deus pode me julgar!”.
Beleza então. Se é verdade que só
Deus pode te julgar, isto não te preocupa?
“Ih, lá vem...”
“Deixando de curtir o blog em 3, 2,
1...”
“Fui!”
Tranquilo, pessoal. A ideia com
estes Escritos Aleatórios não é colecionar visualizações, likes, curtidas ou
comentários elogiosos. A porta sempre foi serventia da casa. Ninguém é obrigado
a ouvir/ler o que não quer, mas eu me vejo na obrigação de falar o que penso. É
mais do que um passatempo ou modinha. É para mim um encargo (talvez falemos
disto em textos futuros). O resultado deste falar, será uma de três reações:
adesão, rejeição ou indiferença. Toda mensagem tem o potencial de gerar isso. Amor
ou ódio, em especial; e alguns a ignoram. Vida que segue.
“Arrependei-vos, porque é chegado o reino
dos céus”. Palavras ditas por um homem que confrontou sua geração.
João Batista, primo e precursor de Jesus. A voz que clamava no deserto, aquele
que preparou o caminho do Senhor. Um carinha “mais ou menos”, sobre quem está escrito
que “dentre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João”. Acredito
que não houve antes, não havia na época, e não houve maior depois. Um cara
muito especial. Ele não foi o fundador da Igreja. Ele não foi o Apóstolo dos
Gentios. Mas creio mesmo que o esquisitão do deserto foi, neste plano, maior do
que todos os outros.
João não apareceu com mensagem
palatável, rede social descolada, foto de perfil com tratamento, estratégias de
impulsionamento e alcance. Não. Ele apareceu com seu estilo de vida excêntrico –
vivia no deserto, comia mel silvestre e gafanhotos, vestia-se com pelos de camelo
e cinto de couro – e, sobretudo, apareceu com uma mensagem muito, muito dura: “Arrependei-vos!”.
O resultado: em 3, 2, 1... começava o primeiro cancelamento da Era Cristã. Os
detalhes da história estão naquele bom e velho livro de capa preta.
Ele não apareceu para
colecionar seguidores. Não. Não era dono deles, assim como não somos dos que
achamos que temos hoje em nossas redes sociais. Tempos depois de começar suas
andanças e “falanças”, quando o Caminho chegou, encarnado, cheio de Graça e
Verdade, os seguidores de um e de outro se viram em certa divergência. João não
pensou duas vezes: transferiu todos os seus seguidores para aquele que veio
após ele. Porque importava que Ele crescesse, e Joãozinho diminuísse. Detalhes
da história, novamente no livro de capa preta.
Quantos de nós estamos
dispostos a transferir todos os nossos seguidores para alguém? Tirar o foco do EU,
do MEU, e dizer: “Não olhe para mim. Olhe para Ele”. Pois fazer discípulos é
exatamente isso: levar alguém que olha hoje para você, a olhar para um outro
alguém, maior do que você. O Caminho, Verdade e Vida.
Se José, filho de
Israel, é meu personagem favorito no Antigo Testamento, tranquilamente vejo em
João Batista a mesma proeminência no Novo. Alguém de quem os registros foram
poucos, comparativamente com “Os Doze”, Pedro (em especial), Paulo, João. Às
vezes tenho a impressão de que ele é visto por muitos como nota de rodapé. Alguém
que se não estivesse lá, não faria diferença. Discordo, claro. E sinto informar
que, ainda que ele fosse uma nota, há notas fundamentais para a compreensão de
toda a história contada nas muitas páginas seguintes. Talvez por isso, sempre
receoso de perder uma chave de compreensão, tenho por hábito ler cada minúscula
notinha de rodapé, de cada livro que já me passou pelas mãos. Fica a dica.
Prossigamos. Algo que
me chama a atenção, é que “desde então começou Jesus a pregar, e a dizer:
arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”. A mesmíssima mensagem
desconfortável de seu predecessor. Mesma e dura mensagem. Despertando os mesmos
amor e ódio nas pessoas. E a terceira via, a da indiferença? Novamente sinto
informar que o “em cima do muro” não deixa ninguém seguro. O Senhor disse que
quem não é com Ele, tem a mesma condição dos que são contra. A verdade é que a terceira
via não existe. Só dois caminhos. Ou se está num, ou noutro.
Vivemos tempos onde não se pode
falar nada. Apontar nada. Sugerir nada. Qualquer palavra desconfortável aos
ouvidos é tomada como discurso de ódio. Mas não, não é. Pelo contrário. A
palavra de amor pode ser – e efetivamente é – justamente aquela que mais nos
confronta. Dizemos por aí que o verdadeiro amigo é aquele que diz as verdades
que ninguém mais tem coragem de dizer, mas quando o Verdadeiro Amigo falou, ou
algum discípulo dele fala hoje, aí não rola. Aí vira discurso de ódio,
fundamentalismo, “estão me julgando”. Não. Não é isso. É amor, embora
incompreendido. Ele disse que seríamos odiados por cumprirmos o encargo. Sem
surpresas, portanto.
“Deixa disso Fer! Deixe cada um
vier como quiser. Não julgue você também. Cadê o Evangelho do Amor?”
Julgo não. Estou apontando o dedo
não. Quem sou eu para julgar? Quem sou eu?
Sei quem sou. Sou o primeiro a me
arrepender. Eu poderia (e posso) viver como quisesse, mas a mensagem do
arrependimento me alcançou. Se a mensagem de João, e a subsequente mensagem de
Cristo fossem “Hei mundo, tudo bão co´cêis?! Vivam como quiserem! Está
instalado o Reino do Amor Sem Limites”... então eu me sentiria confortável para
viver como quisesse. Mas não foi isso que ele e Ele falaram. Não foi isso que
os Doze falaram. Nem Paulo falou. Nem os mártires do início falaram. Nem os
muitos que vieram nos 20 séculos seguintes falaram. E não é isso que a Igreja fala
hoje.
A mensagem do arrependimento não
mudou. Ela está posta. Aderir ou não, é com cada um.
Sextou!
"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas".Apocalipse 3:22
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