Acordado que fui, minutos atrás, por um inconveniente pernilongo que saboreava meus pés, não deu outra: passei a mão no celular, olhei duas ou três coisas, deixei de lado e me coloquei na posição (também de lado) para novamente dormir, mas não rolou. Foi quando notei que se passasse novamente a mão no celular, acabaria “investindo” um bom tempo por ali vendo nada. Leitura? Hum... não animei às 3h da madrugada. Já o fiz muitas vezes, mas hoje não. Levantar para comer algo? Claro! Já o fiz. Então vim para cá.
Semana de férias e de repouso forçado ao mesmo tempo. Pós-operatório correndo bem demais, graças a Deus. Ontem até rolou uma zoeira no grupo de bike, após um amigo ter feito uma montagem de foto minha, com aqueeeela franja de respeito, e foi a maior risadeira. E sabe que ficou legal?! (risos). O resultado final não ficará como o daquela imagem, pois eu precisaria agregar à região transplantada um volume de fios bem maior do que a realidade permitiu, mas te digo que se algo próximo daquilo acontecer, a versão com cabelo ficará bem, bem, bem legal. Como eu imaginava, aliás. Problemas com a imagem atual no espelho? Sim e não. Sim, porque comecei a me perceber usando demais o boné e me sentindo confortável assim. Não, porque nem de longe em algum momento da vida me achei feio, algo com que meus amigos discordarão totalmente, e eu acho ótimo isso. Que continuem achando horrível qualquer versão minha, careca ou de topete.
Duzentas e poucas palavras te enrolando, então vamos ao que interessa. Bora falar sobre minha IGNORÂNCIA SELETIVA.
Este escrito constitui-se numa das muitas pequenas continuações de um que curti demais escrever: o 031 REFÚGIO MENTAL. Aliás, para que as melhores compreensões deste 061 sejam absorvidas, eu recomendaria fortemente a releitura daquele. Mas, se você não o fizer, ou deixar para depois, eu transcrevo um trechinho que resume bem a ideia lá trabalhada, pouco mais de três meses atrás:
“Pincelamos então umas ideias sobre quatro tipos de bolhas, para finalmente, depois de eu te enrolar com quase 1000 palavras, naquela conhecida meada meio caótica da minha construção textual, captar sua atenção e começarmos a falar do que realmente importa. Nosso quinto tipo de bolha: um REFÚGIO MENTAL.
Essa bolha é diferente das quatro anteriores, mas contém um pouco de cada. A melhor parte de cada. Chegaremos lá. Antes, porém, importa dizer que um refúgio mental é importante. Precisamos ter. Refúgio remete a um lugar de proteção. Mental remete a mente, o objeto que será protegido neste refúgio. Disse da importância desse lugar, porque entendo que hoje uma das coisas mais desejadas de quem detém o poder é conseguir captar mentes. Em qualquer nível: comercialmente falando. Politicamente. Emocionalmente. Espiritualmente. E tantos e quantos “...mentes” que impliquem em fisgar mentes. Nossa atenção é o grande prêmio. Uma mente capturada vale ouro”.
Pois é. Como você viu, dar uma enrolada antes de ir ao ponto central, é artifício habitual nos meus escritos. Quem segue o blog com mais regularidade, já “fragou” essa e umas outras manias minhas, quanto ao estilo textual.
Segue mais um recorte:
“Lembra-se das 4 bolhas que falamos no começo do texto? Pois então, nós pegaremos o melhor de cada uma delas para construir a nossa. Um lugar de proteção para a mente. Nosso REFÚGIO MENTAL. Vamos lá. Vou te contar como eu elaborei o meu. É tipo receitinha de bolo mesmo”.
Cara, na boa, corre lá para o escrito 031. Ele é viajadão, malucão, mas é DE LONGE um dos textos que mais me orgulho de ter produzido. Sem falsa-modéstia – coisa que deixei bem claro desprezar, no escrito 053 MAIS QUE VENCEDORES – eu considero mesmo o 031 um textão de respeito. Aquele dia o teclado esquentou. E foi assim, e eu gosto tanto dele, porque ele representa meu cuidado com algo que considero importantíssimo, como já dito: NOSSA MENTE, O GRANDE PRÊMIO. Tem muita gente atrás dela, quer você se dê conta, e ligue ou não para isso. Alguém vai fisgá-la.
Antepenúltimo recorte, se você não foi mesmo para o meu textão de estimação:
“O terceiro ingrediente para construção da nossa bolha, nosso refúgio mental, é a colocação das barreiras necessárias para que as contaminações do mundo exterior não nos matem. Semelhantemente àquela imagem que trago do filme que assisti, penso ser necessário estabelecer o que pode e o que não pode agora estar dentro. Gases tóxicos ou ar puro? Palavras de vida ou mensagens de morte? Boa música ou lixo sonoro? Você já entendeu. Filtros. É necessário colocar filtros para que entre o que é bom, e fique fora o que é ruim”. (...) “E falando então em alimentação da nossa mente, o pouco que tocamos, cheiremos ou degustamos fica ainda menor. Aquilo que vemos e ouvimos é o arroz com feijão, carne de panela, salada e ovo (zóião) da nossa mente. A sustança entra por estes dois canais principais”.
Quais canais?
VISÃO e AUDIÇÃO.
“Na navegação na internet o troço fica mais melindroso. Embora eu tenha a impressão de que estou no controle, a coisa é feita para que eu veja o que “eles” – o que quer que “eles” signifique – querem que eu veja. Vez por outra caio na cilada. Lembro-me de algo que preciso pesquisar, então puxo o celular e lá estão 3 ou 4 ou 10 notificações de Apps diferentes. Acabo deixando de olhar o que eu precisava, para perder preciosos minutos com bobeiras. Ainda acontece, mas cada vez menos. Desabilitei as notificações da maioria dos Apps. Cedo ou tarde deixarei Off para todos, de modo que eu acesse apenas voluntariamente o que eu decidir ver, e não reagir como um cão treinado aos comandos condicionantes. Pavlov total no rolê”.
Pronto. Agora sim, com o penúltimo recorte do 031, novamente te enrolando com umas mil e poucas palavras – na verdade, estava te re-contextualizando – a gente parte pra prosa de verdade, algum conteúdo novo.
Em dias recentes, separadas por poucos dias, tive duas conversas. De forma não planejada ou intencional, em ambas as situações eu usei uma mesma expressão: “ÀS VEZES EU ME SINTO TÃO BURRO”. As reações foram mais ou menos as mesmas. Sou péssimo para descrever expressões faciais, mas o caso é que uma delas nem falou nada. Deu aquela olhada do tipo “Cala a boca, Fer. Você burro? Nada a ver”, e seguiu com a prosa numa outra direção, deixando claro que eu só estava querendo bolinho (para quem não conhece a expressão, seria autodepreciar-se só para colher um elogio). Não era o caso. Já a outra pessoa foi bem mais dramática e enfática: “Você burro, Fer? Meu Deus! Ooooonde? Olha quantos livros você já leu; quantos textos fantásticos escreve, um após o outro; quantas vezes já te vi ensinando sobre algum assunto, e fico ali pensando ‘como ele consegue conectar tantas coisas e ser tão claro?’; como eu aprendo contigo a cada conversa e nem vejo as horas passarem?!”. Enfim, ela parecia minha advogada defendendo-me de mim mesmo, que tentava me dar um auto-veredito de burro. E não, eu também não estava querendo bolinho. No fim a gente riu bastante, e tinha bolo. Um bolo de milho. Aliás, nas duas conversas recentes havia bolo de milho à mesa. Eu amo bolo de milho.
Mas pior que é sério. Eu sou sincero quando digo que às vezes me sinto meio burro. No fundo, sei que não sou. Mas sei também que, eventualmente, questionar-se sobre isso é bem salutar. Tipo uma checagem. Você sabe o seu peso, mas sobe na balança mesmo assim.
Tá, tá, tá, mas e o tal REFÚGIO MENTAL? E a IGNORÂNCIA SELETIVA?
“Eu vivo numa bolha. Todos vivemos. Mas eu vivo numa que eu fiz, e que vai sendo feita de pouco em pouco, do meu jeito, com os meus critérios, com os elementos que escolhi voluntária e conscientemente inserir. Ele é boa. Ela é segura. Ela é muito bem filtrada. Ela é leve, móvel e transparente, como essa da imagem que escolhi para o escrito. E ela tem uma outra característica muito preciosa, encontrada nas bolhas de sabão: quando encontra outras, não se repelem; não estouram. Elas se ligam. Novas e inusitadas estruturas acontecem. Mas isto é tema para outro dia”.
Assim eu finalizei o 031. E assim chegamos ao “outro dia”, trinta escritos depois.
Dia de contar meu segredo da aparente inteligência, quem sabe até SABEDORIA que dizem ver em mim: ser AUTORAL. Ter IDEAIS PRÓPRIAS. Abraçar uma IGNORÂNCIA SELETIVA. Largar mão de ser um papagaio citador de coisas que os outros pensaram ou escreveram. O mundo está precisando disso. Gente que pensa. É o que eu tento fazer aqui, cada vez que separo umas horas para escrever.
Em meu refúgio mental, cuja barreira de entrada é beeem seletiva, os filtros são rigorosíssimos. Eu cuido de tudo que olho. Eu cuido de tudo que ouço. Mas isso você já entendeu. Agora eu te digo a razão: assim como a saúde do meu corpo – que é fantástica – depende do que eu como, do que eu bebo, da pureza do ar que respiro, do quanto eu consigo gerar estímulos diferentes e complementares neste esqueleto de 44 anos, que tem basicamente a mesma aparência e peso desde quanto eu contava 18 (ééé, tô no shape!!! e agora de cabelo novo), o que acontece no âmbito mental é RIGOROSAMENTE IGUAL. De novo. Em caixa alta: RI-GO-SO-SA-MENTE IGUAL!
Tudo que eu olho com a minha mente precisa ser de qualidade. Tudo o que eu ouço silenciosamente no meu espírito, idem. O ar que oxigena minhas ideias tem que ser puro. E se você acha – digo isso aos que conhecem minha rotina de atleta – que eu sou caprichoso e organizado nos meus muitos estímulos físicos (bike, academia, pilates, terapia manual, sono top, etc), você nem imagina o quanto mais, muito mais eu sou cuidadoso com tudo que se refere aos alimentos do meu interior. A saúde que importa mesmo depende disso. Esses são os verdadeiros alimentos.
Claro, claro, não descuido do alimentos físicos e estímulos físicos. De jeito nenhum. VIDA INTEGRAL. Saúde Integral. Mas está cheio, está lotado de gente que coloca as esculturas gregas no chinelo em termos estéticos, mas que interiormente não conseguiriam conversar por 3 minutos com o pior aluno de um dos grandes pensadores de 24 séculos atrás. Gente linda de olhar, mas enfurnada na Caverna. Gente que sequer ouviu falar do Mito da Caverna. Porque os plugs estão bem firmes e conectados, jogando pra dentro do shape perfeito os “nutrientes” minimante necessários para que eles permaneçam “vivos”, gerando energia para que o sistema continue funcionando. MATRIX BEBÊ. Cara, como eu amo esse filme e a alegoria perfeita que ele conseguiu trazer. O quarto da série vem aí, com Neo no jeitão total de John Wick, outra trilogia que está na minha lista de favoritos.
“Beleza, Fer. Mas e aí? Falou, falou, e qual é boa? Resume pra mim, que tô apressado!”. É a Matrix te chamando para mais um dia como os de sempre? Relaxa, brother. Desacelere.
Essa é a questão. Este o segredo da minha aparente inteligência: IDEIAS PRÓPRIAS. REFÚGIO MENTAL. IGNORÂNCIA SELETIVA. Dica pra vida: Faça o mesmo! Escreva! Pense! Componha! Desenhe! Crie! Gere algo novo. Alimente-se, em todos os sentidos, do melhor que houver. Será um bom começo. Um processo de desintoxicação vai rolar. Vez por outra você ainda dá uma errada, mas cada vez menos. E não se preocupe se você comer, comer, e mais comer coisas boas, e não conseguir citar os autores, ter a eloquência dos famosinhos, colecionar seguidores na casa dos 5 dígitos ou mais, visualizações na casa dos 6, 7 dígitos ou mais. Tem muita gente VERDADEIRAMENTE MUITO BURRA com tudo isso, coberta de ouro, balbuciando lixo todo santo dia. Fuja disso! Pague o preço da autenticidade. Colha os frutos da verdadeira saúde e liberdade. Dê pelota para uma fama de 15 minutos. Seja um anônimo brilhante. Escolha influenciar verdadeira e profundamente uma única vida que seja, do que bovinamente mover multidões em direção ao nada.
Essa é minha vida. Preocupação ZERO com seguidores, visualizações, impulsionamento, monetização. Comprometimento MIL com tocar positivamente uma única vida que seja, com minhas palavras, minha atitude, gentileza, integridade, bondade, amor. Sem isso, eu nada seria. Ainda que eu falasse a língua dos homens. Ainda que eu falasse a língua dos anjos.
Haveria muito mais por dizer, mas um sono bom deu as caras de novo por aqui.
Duas horas bem investidas.
Dormirei em paz. Meu refúgio mental preservado, cuidadinho. Meu processo de ignorância seletiva sempre no modo ON.
A gente se vê em breve. Nesta semana vamos produzir bastante.
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