Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme suas próprias concupiscências. E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério. (2 Timóteo 4:3-6)
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. (Mateus 5:10-12)
Estes dois textos das Sagradas Escrituras comportam uma leitura conjugada. O primeiro, trecho de uma carta escrita pelo apóstolo Paulo a Timóteo; o segundo, fragmento do famoso Sermão do Monte, proferido por Cristo a uma grande multidão. Alguns anos os separam, cronologicamente falando, mas um mesmo tema os une: um mesmo alerta, sobre tempos difíceis que viriam. Claramente, tempos que já estamos vivendo.
Existe um fenômeno muito interessante atualmente, que costuma acontecer nas redes sociais. Uma “celebridade” está ali na sua, vivendo a vida que pediu a Deus, e tudo são flores: milhões de seguidores, monetização gorda em cada vídeo que sobe nas redes, eventualmente um programa de TV, matérias, patrocinadores, fama. O escrito 039 FAMA E SUCESSO fala um pouco sobre a diferença entre os dois conceitos. Recomendo uma releitura.
Até que num belo dia a “celebridade” resolve falar o que pensa de verdade. Num lapso de “sincericídio” – momento de sinceridade equivalente a um suicídio – ela sobe uma publicação honesta, gerando um rebuliço nas redes sociais. O efeito é imediato e começa a gritaria: “Fulano é não-sei-das-quantas-fóbico!”, “Discurso de ódio!”, e blá blá blá. OPERAÇÃO CANCELAMENTO em curso, e a vida da “celebridade” torna-se o exato oposto de tudo que um dia pediu a Deus. Seguidores escoando pelos dedos, muitas reações de outras “celebridades”, patrocinadores ameaçando romper, perspectiva de menos grana para bancar a vida bacana... e logo ela se dá conta de que alguma coisa precisa ser feita. Ou então será o fim.
Aí é que o tal fenômeno ganha ares de piada. Piada que de engraçada nada tem.
Sai uma nota explicando que a fala foi tirada de seu verdadeiro contexto... e que ela não queria dizer nada daquilo... que foi mal interpretada... que é muita maldade o que estão fazendo... e mais blá blá blá, até que a cereja do bolo fica para o final (aliás, a cereja é sempre no final): “Mas ainda assim, embora eu não tenha ofendido ninguém e nem tenha sido a intenção, se alguém se sentiu ofendido eu peço desculpas”.
E a mágica acontece. Colocado em execução o “Protocolo Desculpa Esfarrapada” do Manual dos Consultores de Imagem, rapidão ele surte efeitos. O cancelamento perde o ritmo, muitos detratores voltam até a elogiar a celebridade, reforçando o discurso de que talvez tinha sido mal interpretada, e assim as melancias se acomodam na caçamba do caminhão. Vida que segue. Agora com a “celebridade” mais amestrada do que nunca, pós-graduada que está em sobre o que não falar para, assim, sempre manter sua bela e imaculada imagem, mais do que nunca formatada ao que as multidões gostam e toleram ouvir.
Acredito que você já viu coisas assim acontecerem em anos recentes. Se não, observe mais atentamente e logo se dará conta do poder da patrulha do politicamente correto. Eles nunca dormem. Eles nunca brincam em serviço.
Mas o que isso tem a ver com a Igreja, Fer?
Resposta: TUDO!
A mensagem do Evangelho é extremamente ofensiva aos ouvidos progressistas destes nossos tempos. Se já o era há 20 séculos, quando aqueles dois textos do início foram escritos, imagine agora?! “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina”... Claramente, tempos que já estamos vivendo. Quanto a isso, realmente não vejo muita margem para dúvidas, então vou me concentrar não na tentativa de demonstrar que estes dias são os nossos, mas sim em qual será a postura da Igreja do Senhor.
O “em cima do muro” não é alternativa, claro. Só pode haver uma de duas opções, diante das reações do mundo à pregação franca do Evangelho:
1) A Igreja mentem-se firme e intransigente quando ao conteúdo da pregação, arcando com as consequências desta decisão;
ou
2) A “igreja” adota o “Protocolo Desculpa Esfarrapada” do Manual dos Consultores de Imagem, moldando suas falas e práticas àquilo que as massas aceitam e desejam... ainda que a partir dali não se possa mais falar em Igreja, e sim em “igreja”. Não mais a Noiva do Cordeiro; agora, apenas uma instituição humana, bastante desprezível por sinal.
As perguntas centrais deste escrito são: ESTAMOS PREPARADOS PARA O ÓDIO? VAMOS REALMENTE NOS ALEGRAR COM AS INJÚRIAS E PERSEGUIÇÕES? SOFREREMOS AS AFLIÇÕES DO EVANGELISTA ATÉ O FIM, CUSTE O QUE CUSTAR?
Ou vamos jogar o jogo dos “haters”? Permitiremos que a popularidade nos corrompa? Entraremos felizes nas mais odientas listas de cancelamento? Cantaremos louvores como Paulo e Silas, após açoites na prisão?
Estes dias estão próximos. Tenho certeza disso. As movimentações nos mais sujos esgotos estão a mil por hora. Um discurso politicamente correto aqui. Um Conselho pretensamente protetor de minorias ali. Projetos de Lei, cheios de “jabutis” e pegadinhas. A sempre presente e vigilante mídia. A normalização do absurdo pelas autoridades. Movimentos velados – e outros nem tanto – para calar as bocas dos pregadores. Sim, muitas coisas acontecendo abaixo da superfície, para na hora certa o cerco fechar. A minha geração verá estes dias. Não tenho dúvidas disso. Verei pastores sendo retirados do púlpito para o banco de uma delegacia, para ali assinar um termo circunstanciado, e começar sua coleção de processos por propagar o que a Nova Agenda já tem chamado de Discurso de Ódio da Igreja.
Sim, isso mesmo. Agora o Evangelho é tomado por discurso de ódio. Estes dias chegaram, e as consequências práticas para a Igreja que realmente se posicionar, intransigente, logo chegarão também.
Fomos alertados pelo Senhor de que estes dias chegariam. Sem surpresas, portanto. E se alguém se surpreende, digo que me surpreende mais o fato de que tal pessoa não soubesse disso. Porque está na Palavra desde sempre, há 20 séculos. Mas tem muita gente que só gosta de ler as partes sobre vitória, bênçãos, prosperidade, etc. Tudo isso está lá também. Está lá com todas as demais partes que ela evita ler. Mas continuam lá e vão rolar. Já está rolando.
Quem tem ouvidos, ouça!
Hoje de manhã eu fui cultuar a Deus no templo. Eu o cultuo diariamente na minha casa, sobre a minha bike, enquanto caminho pela cidade. Não há limites de forma ou lugar. Mas cultuar no templo é bom. Faz parte da vida cristã. Por isso eu vou.
Eu ali, observando o prédio bonito e moderno, os recursos tecnológicos, poltronas confortáveis, aparelhos de ar-condicionado (super benvindos nestes dias de temperatura acima dos 30 graus), estacionamento para os veículos, e diversas outras comodidades, de repente começo a imaginar se as pessoas continuariam vindo se nada disso estivesse ali. Fui mais longe nos meus pensamentos: e se além de não termos essas comodidades, a coisa fosse para um quadro muito pior, de perseguições, reuniões clandestinas, riscos de prisões e mortes? Estaríamos todos dispostos a pagar tal preço?
Reformulando: estaríamos não... ESTAMOS?
Porque o “estaríamos” pode sugerir (enganosamente) tratar-se de uma mera HIPÓTESE. Enquanto que o “estamos” deixa muito claro tratar-se de uma CERTEZA. Vai rolar! Já está rolando em muitos lugares do mundo. Logo baterá em nossas portas brasileiras. Certeza, viu.
Um “evangelho fofo” não vai dar conta. Acenará a bandeira branca da covardia e ajustará seu discurso ao que os ouvidos do mundo desejam ouvir. Já tem aos montes por aí. Mas um “evangelho” assim sempre precisará de aspas e será escrito com “e” minúsculo, porque pode ser qualquer coisa, menos o Evangelho da Verdade, com “E” bem maiúsculo, radical, aquele que incomoda mesmo os ouvidos do mundo. A Verdade incomoda o Mal.
Os joios e os trigos muito se parecem. A separação já começou.
Muito forte Fer e muito real!
ResponderExcluirA separação do joio e do trigo já começou e Deus não está brincando de ser o Noivo da Igreja!