Então disse o SENHOR a Moisés: Eis que te tenho posto por deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será o teu profeta. Tu falarás tudo o que eu te mandar; e Arão, teu irmão, falará a Faraó, que deixe ir os filhos de Israel da sua terra. Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó, e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas. Faraó, pois, não vos ouvirá; e eu porei minha mão sobre o Egito, e tirarei meus exércitos, meu povo, os filhos de Israel, da terra do Egito, com grandes juízos. Então os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando estender a minha mão sobre o Egito, e tirar os filhos de Israel do meio deles. Assim fizeram Moisés e Arão; como o Senhor lhes ordenara, assim fizeram. E Moisés era da idade de oitenta anos, e Arão da idade de oitenta e três anos quando falaram a Faraó. E o Senhor falou a Moisés e a Arão, dizendo: Quando Faraó vos falar, dizendo: Fazei vós um milagre, dirás a Arão: Toma a tua vara, e lança-a diante de Faraó; e se tornará em serpente. Então Moisés e Arão foram a Faraó, e fizeram assim como o Senhor ordenara; e lançou Arão a sua vara diante de Faraó, e diante dos seus servos, e tornou-se em serpente. E Faraó também chamou os sábios e encantadores; E OS MAGOS DO EGITO FIZERAM TAMBÉM O MESMO COM OS SEUS ENCANTAMENTOS. PORQUE CADA UM LANÇOU SUA VARA, E TORNARAM-SE EM SERPENTES; mas a vara de Arão tragou as varas deles. Porém o coração de Faraó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor tinha falado. (Êxodo 7:1-13)
Este texto sempre chamou minha atenção, desde menino. Afinal, os magos do Egito fizeram com que as varas (pedaços de pau) se transformassem em serpentes. Não é dito que foi algo parecido com serpentes, ou uma farsa, ilusão de ótica. Não, não. Pedaços de pau se transformaram em serpentes, pelos encantamentos dos magos. Tem coisa aí, heim! Bora pensar.
Se cremos que o Senhor Deus – Todo-Poderoso, Criador dos Céus e da Terra – fez tudo que existe, pelo poder de sua Palavra, crer também que alguém (Moisés) fez em seu Nome uma vara (pedaço de pau) se transformar numa serpente, um ser vivo, isso soa lógico. Uma pequena maravilha, se comparada à grande maravilha que foi criar todas as outras coisas. Foi a primeira de Moisés. Ele, que em seu encontro pessoal com Deus presenciou uma maravilha – a sarça que ardia em chamas, mas não se consumia – sabia que Deus podia fazer coisas extraordinárias.
Moisés recebeu seu comissionamento, mas por diversas formas tentou esquivar-se. “Não sou eloquente. Não sei falar. E se ele não me ouvir?”... até que apelou para um mais direto “manda outro, Senhor” (Êxodo 4:13). Deus irou-se com ele. Moisés estava tentando fugir, além de manifestar algum nível de incredulidade, como o texto completo do capítulo 4 deixa muito claro. Bem, então Deus não apenas deu solução para o caso de Faraó não obedecer, bem como aproveitou a oportunidade para tratar Moisés em sua falta de fé. Isso é descrito nos primeiros versos do capítulo 4, quando numa espécie de “ensaio” do que iria acontecer no encontro com faraó, Moisés lançou a vara em solo e logo ela se transformou em serpente; pegou-a pela cauda, e tornou a ser uma vara. Veio uma segunda maravilha, ainda no “ensaio”, quando Moisés pôs a mão no peito, como que enfiando-a na parte interna de um casaco; ao retirá-la, estava toda leprosa, branca como a neve (verso 6). Deus ordenou que repetisse o gesto, e finalmente sua mão estava novamente sadia. Finalizando a conversa, Moisés foi alertado por Deus que poderia ocorrer de Faraó não se convencer, ao que se seguiria uma terceira maravilha: a transformação das águas do Egito em sangue.
Tudo conversado, simulado OK, briefing completo de tudo que poderia acontecer, personagens bem identificados, então bora enfrentar a fera, o poderoso Faraó do Egito.
Chegou o grande dia, rolou a conversa. Imagino a tensão do momento. Dois homens comuns, do povo escravizado, diante do chefe da nação opressora, com uma “pequena lista de exigências”. “É o seguinte, seu Faraó. Nós vamos todos embora, essas milhões de pessoas que hoje são a base de sua economia. Vamos nós, nossas famílias, levaremos todos os nossos bens, e você vai concordar com isso. Combinado!?” Tento imaginar os olhares de uns para os outros naquele salão. O faraó para seus conselheiros, meio que sem acreditar. Estes rindo-se entre eles. Negócio surreal! Claaaaro que não ia rolar. Então veio o lance das varas tornando-se em serpentes, tanto a de Moisés, como também as dos egípcios, por seus encantamentos.
Abro um pequeno-grande parênteses: interessante que lá nos “ensaios” foram realizadas duas maravilhas: 1) a da serpente; e 2) a da mão leprosa. Mas no “programa ao vivo”, no efetivo encontro com o Faraó, só aconteceu o sinal das serpentes. Após isso, com a recusa do faraó em obedecer ao ordenado por Deus, na manhã seguinte Moisés tocou as águas do Egito com aquela mesma vara de madeira, e tudo se tornou em sangue (versos 15 e seguintes do capítulo 7 de Êxodo). Não teve com o Faraó o sinal da mão leprosa. Isso que me chamou a atenção. No “ensaio” tivemos duas maravilhas realizadas, mas apenas uma delas se efetivou na hora da verdade. Fico a imaginar a razão de Deus ter feito isso, e acredito ser o seguinte. Embora Moisés tivesse visto uma primeira maravilha de Deus (a sarça), e soubesse que o Senhor pode fazer coisas extraordinárias, aquilo tinha acontecido há algum tempo. Cronologicamente falando, uns meses. Mais precisamente pelo início do ano de 1463 a. C., de acordo com um Bíblia de estudos que tenho na minha biblioteca pessoal. Pela mesma fonte, consta que uns 3 meses depois de seu comissionamento na sarça, com Moisés já de volta ao Egito (após 40 anos de exílio), ele recebeu de Deus as instruções para a conversa difícil que teria com faraó, ocasião das duas maravilhas no “ensaio”. O que eu acho, e aí é especulação, é que aqueles meses que separaram a visão da primeira maravilha (sarça), e a ordem para ir falar com faraó, além (é claro) de algum nível de tensão por tudo que poderia ocorrer naquela conversa, é que Moisés deu uma fraquejada. Bem, isso nem é tão absurdo inferir, pois em seu comissionamento ele tentou porque tentou sair fora o tempo todo, colocando aquelas desculpas já mencionadas. Tentou, mas Deus o pegou de jeito. “Vai ser você e pronto, mané! Eu uso quem eu quero. Eu que mando aqui”. Resolvida essa parte, veio então o “ensaio” dos sinais. Aquele primeiro (vara em serpente) era para o Faraó, mas o segundo (mão leprosa) era exclusivamente para tratamento de Moisés. Por quê? Com o tempo, depois que presenciamos algo maravilhoso de Deus (e falo com propriedade, pois já aconteceu comigo), vai passando aquele fervor, aquela ousadia toda que nos toma no momento e nos dias seguintes ao espetacular, e meio que vamos voltando ao “modo normal da vida”. Dúvidas. Racionalizações. “Hum, mas será que foi autêntico?”. É como somos. O distanciamento do contato com as maravilhas causa em nós a dúvida, não sustenta a fé. Penso eu, então, que Deus pode ter pensado o seguinte: “Certo, certo, pequeno padawan. Não basta a maravilha que já te mostrei no seu comissionamento. Não basta EU estar aqui falando de forma direta contigo. E você vem me dar migué que quer sinal para impactar os olhos do faraó? Eu te conheço Moisés, eu conheço todas as coisas, sei cada pensamento seu. Beleza, eu vou bolar um sinal para que você leve ao Faraó, mas para que você não volte a duvidar de mim, terá um segundo que vai doer na sua pele. Você não vai se esquecer que EU SOU o Deus Todo Poderoso. Uma coisa é ver uma árvore em chamas e não se consumindo. Uma coisa é ver uma vara no chão se transformando em serpente. São coisas fora de você. A eventual racionalização daquelas maravilhas poderá vir, com o passar do tempo. Mas outra coisa é sentir na PRÓPRIA PELE o que é o meu Poder. Vou tocar em você, tornando-te leproso, trazendo horror e desespero aos seus olhos, para que você nunca se esqueça que EU SOU DEUS”. Lembrando, galera: não está escrito isso na Bíblia. Estou apenas especulando, exercitando essa mente criativa que Deus me deu. Acredito que por isso no dia do “show ao vivo” rolou apenas a maravilha da serpente. Esta era para o faraó. Mas a lepra na mão foi exclusivamente para o próprio Moisés, um tratamentinho vip na fé do jovem senhor, uma pequena lembrança de com quem ele estava tratando. Fecha parênteses.
Pois bem. Então tudo se seguiu como o Senhor havia falado:
Maravilha da vara (pedaço de pau) transformando-se em serpente. O bora Egito fazer o mesmo, mas com seus encantamentos mágicos. (Êxodo 7:11)
Águas transformadas em sangue. E o Egito conseguiu clonar a maravilha. (Êxodo 7:22)
Rãs multiplicando-se por todo o Egito. E este novamente dando um jeito mágico de fazer igual. (Êxodo 8:7)
Piolhos brotando como o pó da terra, empesteando todas as pessoas e os animais por todo o Egito. Stop! Foi aí que, enfim, os magos encontraram seu limite. “E os magos fizeram também assim com os seus encantamentos para produzir piolhos, MAS NÃO PUDERAM; e havia piolhos nos homens e no gado. Então disseram os magos do faraó: ISTO É O DEDO DE DEUS”. (Êxodo 8:18-19)
Seguiram-se as maravilhas das moscas, a morte de todos os animais do Egito, sarna e úlceras, chuva de pedras incandescentes (não granizo, mas rochas em brasa mesmo), gafanhotos, trevas espessas por três dias, e finalmente a morte dos primogênitos do Egito. Tudo isso descrito nos capítulos 7 a 11 do livro Êxodo.
“E Moisés e Arão fizeram todas estas maravilhas diante de faraó; mas o Senhor endureceu o coração de Faraó, que não deixou ir os filhos de Israel da sua terra”. (Êxodo 11)
No dia seguinte a todas essas maravilhas, antes de a última – morte dos primogênitos – ser realizada, muita coisa nova era estabelecida no povo de Deus. Um novo calendário. A primeira Páscoa. O Céu se movimentava para realizar essa última maravilha diante dos olhos do Egito, para finalmente libertar o povo de Deus e conduzi-lo ao deserto, onde muitas outras seriam realizadas, agora não mais para que os de fora vissem, mas maravilhas e tratamentos de Deus para o seu povo, com vistas a ensiná-lo como Ele queria que as coisas fossem dali para frente.
Fico aqui pensando que se as maravilhas tivessem cessado na décima praga, já seriam visões e testemunhos suficientes para que aquele povo jamais duvidasse do seu Deus. Mas eles nem imaginavam que muito mais estava por vir. Aquelas dez primeiras, na verdade, foram apenas um “aperitivo” para o povo, porque na passagem pelo Mar Vermelho, e depois por 40 anos no deserto puderam testemunhar diariamente as maravilhas do Senhor. Infelizmente, ainda assim, cedo ou tarde eles se esqueciam de tudo que tinham presenciado – aquele fenômeno mencionado mais acima – porque é assim que nós somos. Eles eram lá, 3500 anos trás. Somos nós também hoje. O espetacular nos impacta, de início. Mas ele não é sustento para a verdadeira fé.
Não por outra razão, nossa fé jamais poderá basear-se em sinais e maravilhas. “Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. E, deixando-os, retirou-se”. (Mateus 16:4). “E, suspirando profundamente em seu espírito, disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não se dará sinal algum”. (Marcos 8:12)
Partindo pros finalmentes...
SINAIS E MARAVILHAS existem, desde o início. Mas uma chave muito importante, que por vezes nos esquecemos, é que ELE É MARAVILHOSO. SEU NOME É MARAVILHOSO. Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, a Trindade, ela é a Maravilha Primeira, a fonte de tudo. Todo o mais são pequeninas expressões do Deus que é maravilhoso. Centelhas. Fagulhas.
As obras dEle refletem seu ser maravilhoso. A própria natureza é sinal vivo e permanente de tudo que Ele pode fazer:
“Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra da Tua riqueza”. (Salmo 104:24).
“Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das tuas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz”. (Salmo 19:1-3)
O Deus Maravilhoso está aí, o tempo todo. Acessível. Disponível. Suas obras maravilhosas também. Basta erguer os olhos, olhar para fora das janelas da nossa vida. Entretanto, enclausurados que estamos por obras das nossas próprias mãos, nas cidades cinzas, nos apartamentos fechados, ou com olhos 90% do tempo voltados para telas de LCD, ou de plasma, ou de sei-lá-o-quê, só conseguimos enxergar as obras e maravilhas humanas. Deixamos de ver o Deus Maravilhoso, bem como as maravilhas por Ele criadas.
Sim, a humanidade tem capacidade para fazer sinais e maravilhas. Coisas incríveis. Lá atrás, no relato de Moisés com os egípcios, os caras conseguiram fazer pedaços de pau virarem serpentes com seus encantamentos, água virar sangue, rãs brotarem aos montes das águas, até que da quarta praga (piolhos) em diante, encontraram seu limite. Não apenas nesse fato, mas em alguns outros indicados na Palavra, vemos o homem manifestando sinais e maravilhas com seu próprio poder. Como foi? De que maneira os magos fizeram aquelas coisas tão incríveis, não sei. Mas fizeram. E por fazerem, de alguma forma se achavam poderosos como Deus, e assim mantinham seus corações duros. Ao depois, mesmo encontrando seus limites na produção do maravilhoso, e sofrendo na pele as consequências – assim como um inicialmente incrédulo Moisés sofreu com a lepra na mão – continuaram obstinados e duros. Não se rendiam a Deus.
Isto me ensina que os sinais e maravilhas não podem ser, de forma alguma, o fundamento da minha fé em Deus. Porque passam. Geram impacto? Sim. Chocam? Demais! Emocionam? E tem como não?! Mas essas coisas são efeitos colaterais, acessórios, jamais fundamentos para uma fé verdadeira e duradoura. Desta, que por definição “É O FIRME FUNDAMENTO DAS COISAS QUE SE ESPERAM, E A PROVA DAS COISAS QUE SE NÃO VÊEM” (Hebreus 11:1), não temos menção de nenhum tipo de maravilha em sua “fórmula”. As maravilhas podem encher os olhos (e enchem), mas não são fundamento. A certeza do invisível, a prova do que se espera, isto é fundamento. Isto é fé!
É dito na Palavra que “ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gálatas 1:8). Ou seja, tudo, tudo, absolutamente tudo o que tinha que nos ser dado para crer no Senhor, para fundamentar nossa fé, já foi anunciado: SUA PALAVRA! Sinais e maravilhas ainda acontecem, não se nega. “Estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão mãos sobre os enfermos, e os curarão” (Marcos 16:17-18). Sim, pequeno padawan, estes sinais acontecem! Mas não são, repito, de forma alguma, o fundamento na nossa fé. Nem os sinais autênticos do Alto, muito menos as maravilhas fake dos homens. Porque sinais e maravilhas os homens também fazem, bem como o inimigo das nossas almas. Ele é enganador. Sinais são frágeis.
Que o Senhor ganhe o nosso coração única e exclusivamente pela fé derramada em nós por Ele mesmo, pelo Espírito Santo; a fé que vem pelo ouvir/conhecer da Sua Palavra revelada. E que o mais, e que todo o mais, sejam apenas o que são: lampejos e fagulhas da verdadeira e única maravilha que há: A TUA PRESENÇA EM NÓS, SENHOR.
Que Deus nos abençoe nesta semana. E que este terceiro escrito da série DOBRADINHAS fale ao seu coração nos próximos dias. A gente se vê na terça.
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