- 5 de junho. Meus 44 aninhos.
- Quais os planos para a próxima idade? rs
- Ficar nela pelos próximos 44 anos. Afinal, eu tenho 22 anos faz 22 anos, sabia?!
- Boa!
- Agora vou pular direto pros 44 e ficar neles por outros 44. Sempre jovial, feliz, sendo bom para todos que eu puder.
- Não tenho dúvida alguma disso. Aquela velha e clichê frase “idade são apenas números”. Eu já tô na fase de esquecer a idade. Achei que demoraria um pouco mais para isso acontecer.
- Eu gosto muito de estar envelhecendo. A única parte chata são umas dores que aparecem no corpo. De resto, sem reclamações.
- Sério? Eu já tenho um pouco de medo. Não sei como vou lidar. Claro que é vivendo e aprendendo, porém a ideia não me agrada kkk
- Como eu sempre digo nessas horas: Facinho resolver. É só morrer rs
- Pesado kkk
Uma conversa trivial de zap zap. Uma pessoa que eu gosto muito. Algumas reflexões possíveis.
Eu gosto de completar aniversário. Gosto também de estar envelhecendo. Acredito que há quem goste de apenas uma dessas realidades – que, em verdade, são uma só – e também quem não suporte lidar com nenhuma. Para essas, como dito, é só morrer que resolve. O último grão de areia cai na ampulheta e... finito. Interrompe o envelhecimento? Talvez. Interrompe a vida? Sim e Não. Falaremos em escrito futuro.
Acho que finalmente minha idade cronológica bateu com a idade percebida interiormente. Hoje tenho 44 no RG e 44 no ser. Sinto-me com 44, tendo 44. Mas não foi sempre assim. Creio que pelas circunstâncias da vida, especialmente os fatos de ainda não ter me casado, e não ter filhos – sim, tenho certeza disso, monitorei rs – a minha vida teve poucas mudanças importantes nos últimos 22 anos. Com essa idade eu estava me formando na faculdade, já trabalhava na Justiça Federal, tinha rotinas que são parecidas com as de hoje, falava igual, e por aí vai. Assim, eu te digo que 22 anos atrás eu completei 22, e fiquei neles por vários anos. O que teve aspectos bons e ruins.
Quanto aos bons, eu me percebia, e também era reconhecido pelos outros, como um jovem com certa maturidade. O histórico falava por si. Tinha trilhado um bom caminho até ali, colhendo cedo os frutos das boas sementes. Eu poderia falar longamente dessas virtudes juvenis, mas não precisa. Resumi-lo num “fui um jovem que deu certo”, talvez seja suficiente. Tinha feito tudo direito. A nova fase começava, de rapaz formado e bem empregado, com ótimas e ainda melhores perspectivas pela frente.
Mas (Aaah, esses "mas da vida...) comecei a tomar algumas decisões equivocadas. Falemos, pois, dos
aspectos ruins de ter estacionado nos 22 anos de idade.
O fato é que o jovem, até então exemplar, começou a errar. Financeiramente falando. Relacionalmente falando. Espiritualmente. Pouco a pouco, de pequenas em pequenas decisões, com pequenos e pequenos prejuízos (causados e/ou sofridos), fui acumulando erros. E como um princípio em que acredito, vale para o bem e também para o mal, da mesma forma que a soma de pequenas decisões corretas frutificam numa vida próspera, também o somatório desses pequenos erros resultaria, cedo ou tarde, num contexto de fracassos.
Pastor Luciano Subirá, um dos homens mais inteligente e sábios que conheço, não apenas no quesito específico de ensinar as Sagradas Escrituras, mas também na sabedoria geral (um cara que me inspira), costuma dizer que o crente dificilmente cai de uma vez. Ele, na verdade, vai caindo. Assim foi comigo. Eu não pirei o cabeção aos 22, mudando radicalmente minhas práticas, hábitos e condutas, menos ainda meus valores e princípios, mas entrei, sem perceber, num longo e silencioso processo de retrocessos. O adolescente e jovem exemplar começou a trilhar caminhos perigosos. Também desnecessário entrar em detalhes.
Após vários anos nesse processo de retrocessos, com muitas, muitas, muitas histórias vividas – Ah, tenha certeza de uma coisa: embora eu pareça sem graça, chato e sistemático, minha vida foi muito emocionante – certo dia eu me dei conta de onde eu tinha ido parar. Consigo me re-lembrar e re-sentir, como se fosse agora aquele momento chave, quando tive três visões.
Encontrava-me na sacada, 30° andar. Aquela cidade imensa abaixo de mim. Olhei para fora, meu horizonte próximo. Olhei para a casa, o local onde minha vida privada acontecia. Olhei para dentro de mim, o lugar onde a verdadeira vida está. Não gostei do que vi. Não gostei de nenhuma das três visões. Havia coisas fora do lugar. Naquele mesmo instante, entendi que precisava mudar algumas realidades.
A mais fácil delas foi justamente a primeira visão dessa cena. Em alguns meses eu não morava mais em Curitiba. Corri atrás, tive as conversas que precisava ter no trabalho, deixei tudo certo por lá, e voltei para onde eu realmente desejava estar. Voltei para recomeçar minha história profissional, mesmo com tantos anos de êxitos até ali. Recomeçar no mesmo trabalho, com os mesmos colegas, na cidade que eu amava (e amo): Maringá.
Seguiu-se também a mudança da segunda visão, a casa. Naturalmente, com a saída de Curitiba, aquele pequeno flat ficou para trás. Mas meu momento financeiro não estava ideal. Uns anos (poucos) foram ainda necessários para que a casa da mãe deixasse de ser a minha, e eu montasse o apartamento onde hoje vivo. Era uma mudança necessária. Eu, um homem com bem mais de 22 anos, tinha passado da hora de ter algumas estruturas do meu jeito, por mais que a casa materna fosse excelente. Movimentei-me. Mudei essa segunda visão. A casa mudou.
Faltava a terceira e mais complexa. Quando você olha profundamente para dentro de si e vê bagunças acumuladas por vários anos, dá um baque. Pequenas e pequenas coisas ruins acumuladas, durante muito tempo, uma hora chegam ao ponto de se fazerem grandes. Não dá mais para ignorá-las. Não apenas os crentes, mas a maioria das pessoas não tomba de uma vez; vão tombando. Eu estava caído em áreas críticas.
Faz 8 anos que tive aquelas TRÊS VISÕES na sacada do flat em Curitiba. A primeira eu levei 6 meses para mudar. A segunda, 3 anos. A terceira e última, creio que concluí apenas muito recentemente. Mudanças internas são demoradas. A decisão pode até ser firme e real, mas o processo é lento. Digamos que nesse período, fui me percebendo cada vez menos com 22 anos, fazendo pouco a pouco as idades cronológica e vivencial se aproximarem. Houve outros e novos erros no caminho. Também alguns velhos e repetidos erros. Mas sempre a percepção e uma motivação firme e constante de me tornar o homem que eu já deveria ser. Não mais menino, com idade de homem. Mas um homem, um grande homem, com o jeito certo de ser menino dentro de si, na pureza, no amor, na inocência que o Senhor precisa ver no meu coração, sem a qual eu não verei Sua face. Porque “em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus”. (Mateus 18:3)
Hoje, dia 5 de junho de 2021, sinto-me o homem que já deveria ser há um bom tempo. Se demorou mais do que deveria, só posso lamentar. Por tempo perdido. Por feridas causadas (mais) e sofridas (menos). Por investimentos ruins. Omissões que não mudo mais no ex tunc, mas que não deixarei se repetirem no ex nunc. O processo se completou? Claro que não. Seria muito ousado olhar para dentro e dizer “estou 100% pronto”. Eu não iria tão longe. Sempre tem "aquele 1% vagabundo" que precisa ser mortificado a cada dia. Mas ouso sim dizer que hoje me percebo no lugar certo, fazendo a coisa certa, buscando mais e mais o centro da vontade de Deus. Dizê-lo é ousado! Mas o nome Fernando significa OUSADO. Sê-lo é ser Fernando. Buscar a correção é pura ousadia. Santificar-se neste mundo louco é loucamente ousado. Decidir ser perfeito, como perfeito é nosso Pai que está nos céus, é a maior ousadia de todas. E é justamente isto que Ele requer de nós (Mateus 5:48).
Sou perfeito? Não. E não julgo tê-lo alcançado. Quero ser? Quero, mais que tudo, porque se é o que o Senhor espera de mim, nenhum outro processo pode ser mais importante. É extraordinária a sensação de encontrar-me onde Deus quer que eu esteja, fazendo o que Ele quer que eu faça. É ousado dizê-lo, mas vale a pena correr o risco de ser taxado por pretensioso, mas ser aprovado pelo Senhor, para que você leia a louca, ousada e necessária mensagem de que É POSSÍVEL, É POSSÍVEL, É POSSÍVEL! Um processo árduo. Um caminho de volta e sem volta. Estou nele. Continuarei nele. Cada vez com menos gaps, até o dia em que eu seja plenamente aprovado pelo meu Deus. O ouro só se torna puro após passar pelo fogo. No meu caso, um processo de 22 anos, que sinto ter se completado quanto ao tornar-me o homem que Ele sempre quis que eu fosse (para o meu próprio bem) e agora poder transbordar, tocando outras vidas. O processo nunca foi só para mim. Um vaso dEle nunca é cheio apenas para si mesmo.
Hoje, aos 44, tenho uma expectativa enorme pelo que virá. Se mais 44, não sei. Uma nova expectativa, novos tempos. Meu desejo é preservar esta mesma jovialidade madura que hoje tenho, aos 44, e viver cada dia COM e POR um propósito. Disciplina. Simplicidade. Esperança. Generosidade. Meu amor pelas Sagradas Escrituras, os bons livros, meu tempo a sós com Deus pelas manhãs. Honrar meus pais. Cuidar dos meus familiares. Ser mais e mais reconhecido como um valoroso amigo, como tantas mensagens hoje me fizeram sentir. Guardar no coração os meus sonhos ainda não realizados, sobre os quais oro todos os dias. Diminuir, diminuir, e diminuir mais, para que Ele cresça.
Que eu chegue aos 88 (ou menos, ou mais, sejam quantos Ele me der) com estes mesmos sentimentos que inundam meu coração neste dia 5 de junho de 2021. Se longos dias me aguardam, que venham! Porque eu gosto de fazer aniversário, gosto de estar envelhecendo, e gosto muito do homem que me tornei e do que me tornarei neste tempo que virá.
Vc é incrível!
ResponderExcluirMuito bom!
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