domingo, 9 de maio de 2021

016 A MELHOR MÃE DO MUNDO

“Eu tenho a melhor mãe do mundo”.

Até pouco tempo atrás, quando eu ouvia alguém dizendo uma frase como esta, rolava certo desconforto nos meus ouvidos. “Como assim? Você não conhece a minha. Você não conhece todas as outras mães do mundo. Como a sua pode ser a melhor?” Claro que eu pensava para dentro, sem verbalizar e questionar a pessoa, mas cá comigo eu seguia achando que havia um equívoco na afirmação.

Mas não apenas isso. Na verdade, qualquer palavra do tipo “isto é o melhor do mundo” me incomodava. Talvez por imaginar, equivocadamente, que essas afirmações pudessem sugerir a existência de um ranking de verdade, algo que listasse a número 1, a número 2, e assim até chegar à lanterna da “competição”. Claro. Claro que não se trata disso. É uma classificação impossível. Tudo é tão subjetivo, que não tem como fazer. Ou, ainda que um maluco se dispusesse a tentar parametrizar critérios de pontuação, fatalmente seria questionado de mil maneiras. Por mais científico que fosse, alguém simplesmente surgiria do nada e diria “Tua lista está errada, porque a melhor mãe do mundo é a minha”. E o malucão: “Como você pode ter certeza disso? Eu pesquisei e cheguei à fórmula correta”. E o filho: “Eu simplesmente sei que a minha mãe é a melhor do mundo. Tua lista não vale nada”.

Há vascaínos, palmeirenses, gambás (urgh!) que tem absoluta convicção de que seus times são os melhores do mundo. Eles estão todos errados, claro! Também há pessoas que loucamente afirmam que “essa é a melhor azeitona do mundo”. Horrendamente erradas, pois sequer existem azeitonas boas, quanto menos gostosas, e muito menos ainda azeitonas melhores do mundo. Porque azeitonas são horríveis, todas elas, e só poderia haver uma lista das piores com força, das muito ruins, e das um pouco menos intragáveis. Jamais das melhores. Afinal, eu detesto azeitonas e não consigo conceber um mundo onde azeitonas sejam boas.

Assim, pensando nas azeitonas, começou a clarear minha ideia sobre as tais coisas “melhores do mundo”. Isso tem a ver com o MEU MUNDO, e tem a VER COM O SEU MUNDO. A minha mãe, Dona Mirian, é uma mulher extraordinária. Seu eu fosse listar num texto suas qualidades e feitos, daria um livro. De certa forma, dará, pois cedo ou tarde escreverei sobre ela, num longo capítulo sobre as pessoas mais importantes da minha vida. O que ela fez e faz por mim e por meus irmãos, não tem como não admirar, louvar, enaltecer. Ela merece todas as honras. Toda (falível e insuficiente) retribuição que eu e meus irmãos pudéssemos ousar achar o bastante, com toda certeza ficaria aquém do que ela merece.

A minha mãe é sim, a melhor mãe do mundo. A MELHOR MÃE DO MEU MUNDO. Porque ela é minha, e não é de todos os outros. Para mim, esta afirmação faz sentido e está correta. E se você diz o mesmo sobre a sua, está correta também, pois ela é a melhor mãe do seu mundo. Cada uma é única, com seu vínculo único com seus filhos. Não há ranking, não há lista. Todas são. Todas podem ser as melhores.

Certa vez fiz uma dinâmica com meus alunos de 7 e 8 anos na igreja. Passei as regras. Na verdade, uma regra bem simples. “Eu quero que todos escrevam o seu versículo favorito da Bíblia. Então me entreguem e eu direi a vocês quem venceu. O vencedor ganhará um chocolate de prêmio”. Eles receberam papeis, lápis ou caneta, então soltei um cronômetro no relógio. Cinco minutos. Sim, crianças demoram. Alguns precisaram de tempo extra. Ao final, papeletas entregues para o Tio Fer.

Comecei a ler os versículos, um por um um. A seguir, parabenizei a todos e entreguei um chocolate para cada uma. Todos venceram! Até que... – o que eu já esperava – alguém me questionou:

- Mas Tio Fer, quem venceu?

- Todos venceram, uai! Por isso todos receberam o prêmio.

- Mas tem que ter um vencedor só!

- Por quê?

- Porque tem, uai! Não era uma competição?

- Não era uma competição. Isto estava nas regras? Foi dito em algum momento que teria apenas um vencedor?

Um instante de silêncio...

- Mas parecia uma competição. Você até cronometrou o tempo, como numa disputa.

Então veio a explicação:

- Vocês pensaram que era uma disputa, porque fiz parecer assim. Vivemos num mundo onde tudo pede um campeão, um número 1, o top das galáxias. Mas por que não pensar num mundo onde todos podem ser vencedores? A sensação de ser o melhor é ótima; a de ser o pior é péssima. Já imaginou se todos pudessem ter a ótima sensação de serem os melhores? Por que não? Foi isso que nossa dinâmica quis dar a vocês: a sensação de serem os melhores, de vencerem, e então olharem para os lados e verem outros vencedores. Ninguém triste. Ninguém se sentindo um fracasso. Um mundo feliz, com todos comendo chocolate.

Utopia? Pense a respeito.

Não precisa haver UMA ÚNICA MELHOR MÃE DO MUNDO. Todas podem ser. Todas são. A minha, Dona Mirian, para o meu mundo, e para tudo que o Senhor Deus sabia que eu precisava como filho, foi, é e sempre será a melhor.

Feliz Dia das Mães.

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