segunda-feira, 3 de maio de 2021

013 AS OPINIÕES DOS OUTROS

Existem 3 tipos de dias em nossas vidas:

Os dias COMUNS: aqueles em que nada de tão extraordinário acontece. São os mais numerosos, compondo 90% de nossa existência (é chute; não há estudos sobre isto). Neles se colocam as rotinas típicas, tais como acordar, trabalhar, fazer as refeições de sempre, uma atividade normal no final do dia, TV ou leitura, conversas triviais, deitar e dormir, para na manhã seguinte repetir tudo mais ou menos igual;

Os dias ESPECIAIS: os 10% que ficam na memória. Coisas legais acontecem neles. Legais ao ponto de nos lembrarmos para sempre. Uma viagem, uma aquisição importante, perdas. A notícia que trouxe consigo alterações relevantes na sua vida, movimentando além do normal aquele dia que tinha tudo para ser comum. Fazendo uma pausa aqui na escrita, fechei os olhos e busquei-os. Foram brotando naturalmente. Então você sabe dos que estou falando, intuitivamente;

Os dias ÚNICOS: aqueles que mudam tudo! Revolucionam. Eles estão contidos nos especiais, com o diferencial de serem os especiais dos especiais dos especiais. O casamento. O nascimento de um filho. Um toque do Senhor. Um rompimento definitivo. São tão poucos, que significam uma fração naquela conta percentual. Zero, vírgula zero zero zero zero 1%. Para identificar um desses, você (como eu) nem precisou fechar os olhos para buscá-los na memória. Sabe instantaneamente quais são.

Próximo nível.

Pessoas são como os dias. Algumas comuns (a imensa maioria), uma parcela especial (bem menos gente, os tais 10%), e as únicas (duas, três, quatro, umas 10 no máximo). Naquele exercício imaginativo do texto “006 MAR DE GENTE”, quando eu dizia que numa vida longa, de aproximadamente 82 anos, cerca de 30 mil pessoas passam por nós, deste montante a ideia era identificar as “mais mais”, as titulares do nosso time da vida. Se você fez o exercício, tem na ponta do lápis os nomes dessas pessoas singulares em sua história.

Dias. Pessoas. Opiniões... (nível 3)

Seguindo a mesma lógica, com as opiniões ocorre exatamente o mesmo. Uma imensa maioria de nenhuma importância; um número bem menor de opiniões importantes; e as zero zero zero zero 1% que realmente nos afetam pra valer. Este é meu critério. É neste nicho seletíssimo que coloco olhos e ouvidos, quando trazem até mim algum conselho, crítica, sugestão, opinião. A 6ª regrinha do Pequeno Decálogo de um Cara Sistemático: seletividade quanto às opiniões dos outros.

Deixar-se afetar pela grande massa, não tem como. As opiniões gerais podem ser positivas ou negativas, alinhadas ou contrárias à sua. Exemplifico. Se você for a uma balada movida a drogas e álcool, liberalidade absoluta na pegação, e tivesse a oportunidade de consultar as opiniões de todos ali sobre uma postura diferente que você decidiu adotar, algo bem careta, do tipo não se drogar, não se embriagar, e não beijar dezenas de bocas diferentes na mesma noite, talvez encontrasse opiniões contrárias. Só que no fim das contas, na minha opinião, não chapar e não se entregar a condutas que considero lascivas, é um caminho bom, ainda que contrário à opinião da maioria. Ou eu deveria fazer exatamente o que todos ou quase todos na hipotética balada fazem, só para que minha conduta se ajuste à opinião majoritária?

Dizem que toda unanimidade é burra. Não sei.

Dizem também que a voz do povo é a voz de Deus. Ah, esta eu sei que nem sempre é. Pode ser, pode não ser. Há que se verificar caso a caso. É um dito que tende mais a errar do que acertar.

Um conceito relevantíssimo nesta conversa é AUTENTICIDADE. Falaremos disto logo mais.

Porque as antes da autenticidade, vem a IDENTIDADE. Saber quem você é. Seus valores. Princípios. Suas regras próprias. Suas regras externas. Um código não necessariamente escrito, mas certamente sentido instantaneamente quando um posicionamento é necessário. Aquela sensação que brota no íntimo: “isto não me convém, ainda que todos façam”. “Relaxa, todos fazem. Faça também”. “Agradeço, mas não”. Quantas e quantas vezes tive diálogos semelhantes na minha vida, especialmente na primeira fase da juventude. Saber dizer não, mesmo que contrarie a opinião majoritária, é uma bênção. Se você tem convicção sobre quem você é.

“Ah, então você tem suas regras próprias e não liga para opinião alguma?”. Não é bem assim. O que não me afeta, e acredito que isso tenha ficado bem claro, são as opiniões da grande massa, dos que não me conhecem e não se importam se a conduta sugerida vai me trazer benefícios ou malefícios. Existem pessoas importantes sim, não necessariamente as super especiais do grupo restrito. Os 10% que considero importantes, mesmo conhecendo-me pouco, só que bem mais que a massa. Estes têm alguma influência sobre mim. Não um impacto forte. Eu diria que uma convergência de opiniões deste grupo, costumo tomar como uma direção razoável. No mínimo eu penso a respeito com mais seriedade. Pode ser que eu mude de opinião, ou não. É caso a caso.

Por fim, na seleção da minha vida eu encontro as opiniões que podem me fazer mudar para valer, mesmo que totalmente contrárias à minha posição inicial. Ou opiniões que corroboram uma postura que não precisa ser mudada, validando a minha, e trazendo-me mais convicção de estar num bom trilho. É um critério qualitativo. Um pai. Uma mãe. Parentes próximos. Amigos mais chegados que irmãos. Os poucos muito relevantes não ficam fora dessas categorias. É aquilo que chamo de “núcleo duro”, as pessoas que vão permanecer, quando tudo der errado. Os que não dão tapinhas nas costas quando tudo vai às mil maravilhas, mas somem como se você fosse um leproso, se não virem mais em você aquilo que lhes interessava.

Fala-se muito hoje em dia em CANCELAMENTO. Fulano postou algo polêmico, uma ideia que contraria a grande massa... não tarda rolar um bovino movimento de manada, para “cancelar” o infeliz que ousou ser diferente. Tenho medo disso não. Se tem uma invenção dessa tal modernidade que não me aflige, é medo de cancelamento. Porque minha identidade é firme, certa, consolidada. E porque ela é assim, eu escolho a autenticidade, ainda que pague um preço. Normalmente se paga. Alguma surpresa?

2 comentários:

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