sábado, 24 de julho de 2021

045 LETRINHAS PEQUENAS

Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de PASSAREM POR DIVERSAS PROVAÇÕES, pois vocês sabem que a PROVA da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. (Tiago 1:2-4)

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; NO MUNDO TEREIS AFLIÇÕES, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. (João 16:33)

Entrai pela PORTA ESTREIRA; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e APERTADO O CAMINHO que leva à vida, e poucos há que a encontrem. (Mateus 7:13-14)

Porque para mim tenho por certo que as AFLIÇÕES DESTE TEMPO presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. (Romanos 8:18)

E outros experimentaram ESCÁRNIOS e AÇOITES, e até CADEIAS e PRISÕES. Foram APEDREJADOS, SERRADOS, TENTADOS, MORTOS ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, DESAMPARADOS, AFLITOS e MALTRATADOS (dos quais o mundo não era digno), ERRANTES pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados. (Hebreus 11:36-40)

Recebi dos judeus cinco quarentenas de AÇOITES menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui APEDREJADO, três vezes sofri NAUFRÁGIO, uma noite e um dia passei no ABISMO; em viagens muitas vezes, em PERIGOS de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e FADIGA, em vigílias muitas vezes, em FOME e SEDE, em JEJUM muitas vezes, em FRIO e NUDEZ. (2 Coríntios 11:24-27)

Porque aquele que quiser salvar a sua vida, PERDÊ-LA-Á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. (Mateus 16:25)

Ficarei nestes setes textos, apenas. Haveria muitíssimos mais.

Dia de papo sério.

Não que estivéssemos de brincadeira em qualquer um dos escritos anteriores, mas tem alguns temas que queimam no coração. Aí você já leu algumas coisas, viveu um bom tanto da caminhada, meio que entendeu alguns processos, e percebe que algo está fora do lugar. Letrinhas Pequenas para coisas muito sérias.

 

Textos como os acima, e muitíssimos outros semelhantes, são o que eu chamaria hoje de as “cláusulas em letrinhas pequenas no contrato para seguir a Jesus”. Estranho, né?! “Aonde será que o Fer quer chegar com essa conversa? Ah, claro, hoje é sábado, ele pedalou demais, forçou, e não deve estar muito bom das ideias”.

Letrinhas pequenas, colocadas indevidamente no lugar de CAIXA ALTA. Textos como esses deveriam ter destaque, mas não tem sido o que vejo.

Se voltarmos ao escrito 006 SEXTOU, veremos que já no início dessa jornada de letras, eu abordei uma questão muito séria: A MENSAGEM DO ARREPENDIMENTO NÃO MUDOU. João Batista, a Voz que clamou no deserto, aquele que preparou o caminho para o Senhor, e a seguir o próprio Senhor, Jesus, o Cristo, começaram seus ministérios proclamando a mensagem do arrependimento com letras garrafais. Um chamado radical e inequívoco para mudar. Eles não aparecerem com uma proposta suave e embrulhada em papeis brilhosos, falando apenas de promessas e bênçãos, para ganhar as multidões num primeiro momento, e depois, bem depois, ler para eles as letrinhas pequenas do contrato. Não. Foi tudo na lata! Algo assim:

- “Quem fizer essa escolha, deixará tudo para trás. Terá que renunciar aos seus desejos. Tem cruz pesada para tomar nos ombros (diariamente). Perigos de morte serão sua rotina. Vocês ouvirão blasfêmias, mesmo sem merecer. Perseguição? Podem contar com isso... Sim, haverá bênçãos também, perdão, salvação, promessas, e muitas outras coisas maravilhosas – a maioria delas para além desta vida – mas tem no pacote tudo aquilo que eu falei antes. Avaliem bem o preço de me seguir. Comigo é tudo ou nada!”.

Letras grades. Caixa Alta. Negrito. Ninguém entrava enganado no barquinho de Jesus.

Mas hoje, com segurança, eu afirmo que alguma coisa está fora do lugar

 

Ide e apresentai-vos no templo, e dizei ao povo TODAS AS PALAVRAS desta vida. (Atos 5:20)

Sim, existe uma lacuna importante na pregação deste tempo. Se não uma completa omissão às “partes menos apetitosas ou prazerosas de ouvir”, seguramente, em muitos casos, um intencional escanteamento de parte da Palavra Revelada para momentos secundários ou terciários, quando muito. Mas o apelo, o convite aberto às multidões... hummm, este tem sido feito com embrulho de papel brilhoso (bênção, poder, prosperidade, etc) – e olha só, que delícia! – às vezes, até com uns chocolatinhos de presente.

Exatamente o que Jesus não fez.

“Credo, Fer! Mas que papão é este hoje?! E a parte de que Cristo muda a nossa vida?! De que as bênçãos vão nos alcançar?! De que agora somos filhos do Rei?!” e tal e tal e tal?

Sim, eu sei. Os textos sobre promessas são muitíssimos! Glória a Deus por isso. Não há como negar as promessas, as bênçãos, a vida plena que há somente em Jesus. E isto é maravilhoso. Eu creio e me aproprio (pela fé) de cada uma delas.

O grande problema, no meu entender, está na apresentação incompleta do Evangelho. Como disse, se não há uma completa e deliberada omissão das “partes difíceis”, quando muito elas ficam bem guardadinhas, veladas, para quem sabe um dia serem contadas quando a pessoa já está dentro do barco. Letrinhas pequenas de um contrato, que ela não leu antes de assinar, porque lhe foram omitidas.

Como costumeiramente faço, vamos olhar pelo retrovisor.

 

Nestes 44 anos de vida, 30 dos quais (praticamente) estudando regularmente a Palavra do Senhor, ouvindo-a dos púlpitos desde que me entendo por gente, fui notando que determinados momentos tiveram maior ou menor ênfase em certas porções das Escrituras.

Eu nasci em meados da década de 70. Embora vivendo naquele tempo, não me lembro dos acontecimentos. Por ouvir falar, sei que ocorreram mudanças importantes na igreja brasileira, especialmente na denominação que meus pais pertenciam. O cisma da IPI, que originou a IPR, trouxe um tempo de forte rigor nos usos e costumes, marca daqueles anos. A igreja (com “i” minúsculo, instituição) machucou muita gente. Machucou meus pais, que eu bem sei. Tanto que, já no início da década de 80, eles se encaminhavam para o ministério pastoral na IPI, que os acolheu. A IPR, com o passar do tempo, felizmente deixou alguns rigores desnecessários. É uma denominação séria e zelosa, que errou e acertou naqueles primeiros passos. E com quem de nós não foi assim?

Já numa fase em que consigo me recordar perfeitamente das coisas, minha lembrança e meus sentimentos sobre o que eu ouvi na igreja nos anos 80 são muito fáceis de resumir: CAMINHO ESTREITO. Pequena expressão que contém dois elementos importantíssimos, e tão certos. Se é caminho, significa que meu lugar não é aqui, estou numa jornada, dirigindo-me para algum outro lugar. E se é estreito, significa que não é fácil a jornada.

Sim, o Fer menino de 5, 6, 7 anos de idade tinha essa visão como fundamental do Cristianismo que estava começando a conhecer. Havia dois lugares principais, duas fontes, de onde eu extraí todo o meu conhecimento inicial: o púlpito da Igreja e as salinhas de Escola Dominical. Nestes dois lugares eu bebi as primeiras palavras da Palavra, lá pela época em que eu começava a juntas as letras em palavras, e as palavras em frases, e das frases começava a formular pensamentos mais elaborados sobre tudo. Uma criança em formação. Que processo precioso.

“Mas Fer, não era meio pesado para uma criança já receber essas informações tão densas? Não seria cedo demais? Será que não teria sido melhor apresentar a alguém tão jovem o Evangelho de uma forma mais palatável, para somente depois, quando ela tivesse mais entendimento, serem mostradas as partes mais difíceis?”

A própria Palavra responde:

E Esdras, o sacerdote, trouxe a lei perante a congregação, tanto de homens como de mulheres, e todos os que podiam ouvir com entendimento, no primeiro dia do sétimo mês. E leu no livro diante da praça, que está diante da porta das águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres, E OS QUE PODIAM ENTENDER; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da lei. (Neemias 8:2-3)

Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. (Provérbios 22:6)

Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor. (Efésios 6:4)

Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. (Deuteronômio 6:6-7)

Porque desde criança você conhece as Sagradas Letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. (2 Timóteo 3:15)

Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe. Eles serão um enfeite para a sua cabeça, um adorno para o seu pescoço (Provérbios 1:8-9)

Todos os seus filhos serão ensinados pelo Senhor, e grande será a paz de suas crianças (Isaías 54:13)

Novamente, sete textos para fundamentar. Igualmente, haveria muitíssimos mais.

Não, não. A exposição completa e franca da Palavra do Senhor não trouxe nenhuma dificuldade para o jovem Fernando. Pelo contrário. Recebi tudo com muita naturalidade, ouvindo do púlpito as mesmas pregações que os mais velhos e, nas salinhas da EBD, numa linguagem mais conforme a minha idade, com tempo para conversas, perguntas, atividades, mas sempre o Evangelho completo. As “letrinhas pequenas” do contrato também! Neste ponto, na pessoa da Dona Clorinda, lá dos tempos da IPI de Cianorte, eu homenageio todos os meus vários professores e professoras da Escola Bíblica Dominical, que fizeram sua parte para plantar em mim os fundamentos da Palavra de Deus.

Hoje, quase 4 décadas depois, sou professor das crianças na Igreja. Venho ministrando há vários anos. E sabe, minha conversa com eles é rigorosamente igual a qualquer ministração que eu já tenha feito para um grupo de adolescentes, jovens ou adultos. Em caixa alta, para não ficarem dúvidas: RIGOROSAMENTE IGUAL. E sabe da maior? A piazada fica esperando na porta do templo para me perguntar “Tio Fer, hoje a aula é com você?”. Se eu respondo “sim”, é bastante comum eles soltarem um “Yeeees”, e saírem correndo para contar aos outros meninos e meninas. E ali, na parte inicial do culto, até chegar o momento de irmos para a sala, ficam me acenando de suas cadeiras, sorriem, fazem “joinha”. Eles são demais!

“O quêeee? O Feeeer e as crianças com esse apego todo?”

Pois é, e os muitos amigos e amigas meus, cujos filhos já foram ou são meus alunos, estão aí para não me deixarem mentir. O Tio Fer, de poucos sorrisos, na dele, sempre sérião, é muito querido e amado pelos pequenos. Cobro ordem, respeito entre eles e com o professor, não levo doces nas aulas, utilizo o tempo completo previsto para aquele encontro (sem “matação” de tempo) e falo sem parar, passo tudo que eu conseguir. E sempre, sempre, sempre me recordo dos meus tempos de salinha de EBD, sabendo que alguns fundamentos que eles aprenderão ali, irão acompanhá-los por toda a vida. Faço-o com toda a dedicação do mundo. Aliás, amanhã estou na escala. Hoje revisarei a lição dos pequenos.

Pois é, disse tudo isso para deixar muito claro que uma criança ouviu a Palavra completa, com suas promessas de bênçãos, mas também a notícia das perseguições e lutas, renúncia em vida, galardão na glória, cruz, novo nascimento, ordem, decência, disciplina, e tantas realidades aparentemente complexas, e nada disso a assustou. Não, não. Essa exposição plena e franca deu-lhe fundamentos muito sólidos para sua vida. Um “contrato completo”, com as cláusulas gostosas de ler, mas também com as necessárias “cláusulas difíceis”, justamente as que tão frequentemente vejo serem escondidas hoje em dia.

 

Hoje, em contrapartida, uma infantilização da pregação aos adultos, vendendo-se apenas um evangelho de bênçãos. Ops! Acabei contando o final. Então bora detalhar um pouco mais o que observei desde a minha infância até aqui.

Falei dos meus fundamentos nos anos 80. Na década seguinte (90), quando eu já era um adolescente a caminho de ser jovem adulto, uma mudança importante aconteceu. Não apenas no conteúdo da pregação, mas também na própria imagem e presença do evangélico. Se na minha juventude era bastante comum ser o único ou um dos únicos evangélicos na sala de aula da escola, ou no clube, ou em qualquer lugar, isso mudou rápido. Igrejas de massa chegaram, programações na TV, denominações com uma linguem atrativa. De repente, mais e mais evangélicos. Um crescimento avassalador.

Inversamente proporcional ao grande volume de membros, notei uma diminuição na densidade da mensagem proclamada. Os anos 90 foram os tempos da primeira onda da Teologia da Prosperidade no Brasil. “Venha e você receberá as bênçãos do Senhor”. Vou resumir nessa frase a essência do que foi vendido no “contrato” para os novos crentes. Claro, havia muito mais. Só que essa frase condensa bem a coisa toda. Basicamente, você está numa vida lascada, então vem pra Jesus e agora é só bênção, só vitória. Ooooooow, glória!!! Quem não quer? E poucas menções às partes “difíceis” do Evangelho. Poucas demais.

Qual seria o resultado?

Crescimento, uai! E teria como não ser assim? Quem não quer?

Calma, calma. Não estou batendo gratuitamente na Igreja do Senhor (com “I” maiúsculo). Sou nem doido de fazer isso. Ela é a Noiva do Cordeiro. Linda. Amada. Preciosa. Mas uma coisa é a Igreja Noiva, e outra bem diferente é a igreja instituição, estrutura eclesiástica e humana. É desta segunda que falo sobre essa grande omissão na pregação. A igreja dos anos 90 passou a vender um evangelho fácil e incompleto, bombando nos números... para inevitavelmente, lamentavelmente, assistir a um fenômeno raro nos meus tempos de menino: milhões e milhões de ex-evangélicos. Ou, o que foi mais comum de ver: gente pulando de denominação em denominação, ao sabor do vento. Aconteceu algo que a pessoa não gostou? “Tô fora!”, e parte para a próxima igreja. Um ciclo previsível. Vi muito disso. Vejo ainda. A omissão das “letrinhas pequenas” custou um enfraquecimentos dos crentes.

 

Vira o milênio, novo tempo, novas mudanças na igreja. Começou-se a investir bastante em estrutura. Prédios legais, poltronas que só faltavam fazer massagem (não duvido que as dos líderes tivessem lá seus botões para isso), climatização, mesas e equipamentos de som (que poderiam tocar shows em estádios), chácaras de lazer, turismo gospel, moda gospel... e alguma mensagem sendo pregada. Alguma. Completa ou incompleta, mas desde que tudo formatado numa bela, tecnológica e atrativa estrutura. As “letrinhas pequenas” do contrato ainda sendo omitidas da massa. A essa altura, ser evangélico não era mais ser minoria. Dezenas de milhões, de acordo com o IBGE. Anos 2000 e seguintes. Todo mundo tinha vários amigos evangélicos na escola, no trabalho, no clube. Denominações aos montes, cada qual com suas peculiaridades.

Novamente... Calma! Calma! Novamente não estou batendo gratuitamente na igreja. E agora nem me refiro à Noiva, mas à igreja com “i” minúsculo mesmo, a estrutura eclesiástica. Entendo como natural uma multiplicidade de expressões de fé, no que toca a diferentes possibilidades de liturgias, formas de governo, e mesmo – e principalmente – entendimentos e posicionamentos doutrinários. Quando se fala em IGREJA EVANGÉLICA, tem tanta, mas tanta, mas tanta coisa diferente no mesmo balaio. Não é simples. E é natural, como disse, que haja diferentes expressões da Igreja (Noiva) por meio das igrejas (estruturas humanas), para que Cristo seja conhecido. Neste sentido, nenhum problema. Em se preservando as bases corretas da fé em Cristo, claro que entendo absolutamente normal que haja muitas “casas”, muitas formas diferentes de se expressar a fé e o amor pelo Senhor.

 

Finalmente, chegando ao nosso tempo, da última década para cá (2010-20), o que eu observo?

Agora é que o caldo entorna.

O mundo está complexíssimo. E o mundo entrou bastante na igreja.

Na Igreja Noiva do Cordeiro ele jamais entrará. Mas na igreja instituição a coisa ficou e está bem feia. Sim, claro que há uma parcela que persiste nas Veredas Antigas, no Caminho Estreito, na defesa intransigente e inegociável dos Princípios do Reino de Deus. Mas é uma minoria. Não por acaso, conforme um dos 7 textos iniciais, diz a Palavra que “estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e POUCOS há que a encontrem”. Só que uma parcela enorme de gente que se identifica como cristã, na verdade quer viver do seu jeito, do seu mesmíssimo e exato jeito de sempre, encontrando uma estrutura eclesiástica para chamar de sua, desde que ali ela só ouça o que gosta de ouvir, e possa continuar fazendo tudo ao seu modo. Se mexer demais nos fundamentos... “Tô fora! Parto pra outra. Eu sou assim. Nisto eu não admito interferência. Eu tenho o direito de ser feliz!”

Veio a segunda onda da Teologia da Prosperidade. Se antes a coisa era focada nos bens e posições, hoje o que voga é massagear os sentimentos e as emoções da massa. Mensagens suaves e motivacionais, que contém apenas parte do Evangelho (quando muito). “Você tem o direito de ser feliz”. “Deus te aceita como você é”. “Esqueça esses fundamentalistas, agora você está no tempo da graça”. E por aí vai.

Esquecem-se, os que assim “pregam”, que a felicidade segundo Deus é diferente do conceito do mundo.

Sim, Deus te aceita como é, ele te acolhe, e TAMBÉM deseja e espera que você se arrependa dos seus maus caminho e se torne parecido com Jesus. Um cristão (pequeno Cristo).

A Graça é inegável, superabundante, um presente imensurável. Mas continuam na Palavra todos os muitíssimos textos que afirmam se aproximar um Dia de Juízo, onde todos comparecerão diante do Senhor para prestarem contas de tudo que fizeram.

Sobre felicidade, sobre como viver, e sobre Graça, poderíamos colacionar aqui também 7 ou mais textos de cada, para muito bem demonstrar tudo isso que resumi.

E o pior de tudo, não bastassem as mazelas internas da igreja, que a si mesma tantas vezes se sabota, e noutras sofre influências veladas da mentalidade do mundo (errando por não conhecer as Escrituras), há também a sempre e sempre presença do inimigo das nossas almas. Satanás. Diabo. Ele mesmo. Ele odeia a Igreja. Rouba, mata e/ou destrói tudo o que pode. Sabe que é derrotado, mas cumpre bem demais sua função existencial. Nunca para. Nunca descansa. E tem seu trabalho muito facilitado, quando encontra uma igreja fofa e tranquila, achando que a vida cristã é moleza, só vitória, riqueza e prosperidade... por causa das “letrinhas pequenas” naquilo que deveria ser garrafal.

Éfeso, contra você, tenho isto: abandonaste o seu primeiro amor.

Esmirna, conheço a blasfêmia dos que se dizem judeus mas não são, sendo antes sinagoga de Satanás.

Pérgamo, tenho contra você algumas coisas: você tem aí pessoas que se apegam aos ensinos de Balaão, que ensinou Balaque a armar ciladas contra os israelitas, induzindo-os a comer alimentos sacrificados a ídolos e a praticar imoralidade sexual. De igual modo você tem também os que se apegam aos ensinos dos nicolaítas.

Tiatira, você tolera Jezabel, aquela mulher que se diz profetiza.

Sardes, conheço as suas obras. Você tem fama de estar vivo, mas está morto. Esteja atento! Fortaleça o que resta e que estava para morrer, pois não achei suas obras perfeitas aos olhos do meu Deus. Lembre-se, portanto, do que você recebeu e ouviu; obedeça e arrependa-se.

Filadélfia, retenha o que você tem, para que ninguém tome a sua coroa.

Laodicéia, conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria se você fosse frio ou quente. Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca. Você diz: ‘Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada’. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego, e que está nu.

As sete cartas, aos sete anjos (pastores) das sete igrejas da província da Ásia. Capítulos 2 e 3 do Apocalipse.

Aproximadamente 98 d.C., e o apóstolo João já identificava tamanhos problemas. Hoje, passados 2 milênios, quais dessas advertências cabem às igrejas dos nossos dias, aqui pelas províncias brasilianas? Acredito que muitas delas, senão todas.

 

O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. (Mateus 24:35)

Os tempos mudaram. O mundo mudou. A igreja mudou e está mudando a cada dia. Mas a Palavra do Senhor é a mesma para sempre. O fato de os homens terem colocado com “letras pequenas”, não muda a urgência e a importância da mensagem. E quem o fez, certamente será cobrado pelo Senhor por isso.

E se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão escritas neste livro. (Apocalipse 22:19)

O convite ao Caminho Estreito não prescreveu. O negar-se a si mesmo e tomar a sua cruz continuam mais válidos do que nunca. A garantia de aflições é real. Seremos (e somos) blasfemados por falar a Verdade. Tidos por loucos. Poderemos ser mortos por amor ao Senhor. Mas quantas vezes estamos mais preocupados e incomodados com a temperatura do ar-condicionado no fofo e majestoso prédio que chamados de igreja; ou não gostamos da Palavra mais dura, e logo começamos a cogitar para qual próxima igreja iremos; ou nos limitamos a um encontro congregacional por semana, sem vida nenhuma de intimidade com Deus nos outros 6 dias.

A mensagem da cruz não mudou. Fomos e somos chamados diariamente para morrer. Figuradamente. Literalmente. Inevitavelmente.

Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á. (Mateus 10:37-39)

E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará. Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? Ou, que daria o homem pelo resgate da sua alma? (Marcos 8:34-37)

Jesus está voltando, galera! Ele logo vem. Maranata!

E nós aqui, preocupados com tantas coisas passageiras.

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio de dores. Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, entenda; então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; e quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa de sua casa; e quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes. Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias! E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado; porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias. Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem. Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias. E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem. Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro; estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra. Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis. Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim. (Mateus 24:4-46)

Veredas Antigas.

Caminho Estreito.

Cruz.

As “letrinhas pequenas” do contrato permanecem. As numerosas e maravilhosas bênçãos também. Um evangelho capenga não existe, galera. É tudo ou nada.

TUDO OU NADA.

3 comentários:

082 PALAVRAS AO VENTO

Uns dois ou três dias atrás fiz algo que há muito tempo abandonei. Numa rede social, após ver a postagem que me chamou a atenção – de temáti...