Logo na fase inicial destes escritos eu abri uma pequena série chamada de “Pequeno Decálogo de um Cara Sistemático”, iniciada com o 007 SEMPRE SÓBRIO e finalizada com o 018 SEMPRE NA CASA DO PAI. Calma, não tivemos um Decálogo de 12. É que no meio do caminho eu encaixei os textos 012 e 016, para falar de dois temas que senti vontade: bicicleta e Dona Mirian (ela, por ocasião do Dia das Mães). Naquela série, o número estava previamente definido. Nesta, que ora abrimos para falar de FAMA e SUCESSO, deixaremos o número em aberto. Pode ser que vá longe ou não; descobriremos juntos nas próximas semanas. O nome da nova série: DOBRADINHAS.
Vou abordar temas que ligam duas palavras aparentemente semelhantes, ou notadamente antagônicas, para refletir um pouco sobre elas. Essa duplinha de hoje, confesso que muito recentemente fui despertado para elas, e preciso dar os créditos para a fonte. Claro que sim, pois não foram compreensões “autorais”, por assim dizer. Então é justo que eu mencione o Dr. Paulo Muzzy, médico que sigo em algumas redes sociais. Além do vasto conhecimento que ele demonstra na área de sua formação (Medicina), também aprendo muito com ele sobre treinamento de força – o Muzzy é fisioculturista – mas principalmente com os pitacos aleatórios em várias áreas da vida. Um cara inteligentíssimo! Bem, a menção resumidíssima de seu currículo – médico, com 6 especializações – já seria meio que intimidadora, mas como deixo sempre muito claro, títulos não me impressionam. Não por si, como se fossem sinônimo de sabedoria. Mas esse cara tem muito de tudo: títulos, sabedoria e um shape clássico no melhor estilo “golden era” (anos 70). Enfim, Muzzão é daqueles que faz tudo com excelência.
Assim, semanas atrás, ouvindo o seu aparentemente nada empolgante podcast matinal BANHA NÃO TEM CALENDÁRIO, ele abordou essa diferenciação entre Fama e Sucesso. Disse “nada empolgante” porque se o ouvinte curtir apenas conteúdos floreados com fundos musicais, vinhetas, risadeira boba, não dá conta de assistir 3 minutos. Um cara em sua bicicleta ergométrica, fazendo seu treino de cárdio bem cedinho, interagindo com os seguidores numa live de praticamente 1 hora, quando vai pinçando os temas do dia ao vivo mesmo, na raça, sem roteiro ou tempo para consultas. Sua voz é monotônica. Ele ri pouco. A linguagem é bem técnica. E por aí vai. A galerinha que só se prende se tiver zoeira e empolgação não vai gostar. Mas quem não olha muito pra isso, logo percebe a riqueza de conteúdo.
Nesses pitacos, tem coisas que se alinham com o meu pensamento, crenças e filosofia de vida. Outras não. O que eu faço – coisa, aliás, que ajudaria muito o mundo a funcionar melhor – é procurar reter o que é bom. Porque se eu buscar ouvir apenas o que concordo, melhor coisa é encher minha casa de espelhos e ficar de prosa comigo mesmo. Se bem que tem uns e outros por aí que nem consigo mesmo concordaria. Cabeças desnorteadas, contraditórias, polemistas por natureza.
“A FAMA É UM ÔNUS DO SUCESSO”. Lembro-me bem que com esta frase ele abriu o assunto. E eu “uai, mas não são a mesmo coisa?” Claaaro que não, pequeno padawan. São realidades com uma aparente semelhança, mas muito, muito distintas entre si. Nesta parte do escrito eu deixo um pouco de lado as lembranças do que o Muzzy falou, e passo a falar por mim mesmo, buscando construir uma compreensão própria do tema. Afinal, se é certo aquele ditado de que “na vida nada se cria, tudo se copia”, então é praticamente impossível gerarmos um pensamento absolutamente inédito. Muita coisa já foi dita, feita ou escrita por muita gente até este ponto da história. No mais das vezes, a partir de uma enorme base anterior à nossa existência, conseguimos vez ou outra dizer algo mais ou menos legalzinho. Mas inédito, inédito meeeesmo... é bem raro.
FAMA, de acordo com uma rápida pesquisa que acabei de fazer, é um substantivo feminino, cujo sentido liga-se a reputação; conceito (bom ou mau) que um grupo humano tem de alguém ou de algo. Exemplo: ter fama de desonesto.
SUCESSO, em pesquisa semelhante, é substantivo masculino, com dois sentidos possíveis: 1) aquilo que sucede; acontecimento, fato ocorrência. Exemplo: os sucessos da história (vai, diz aí, você também não sabia este né?!); e 2) qualquer resultado de um negócio, de um empreendimento. Exemplo: fulano alcançou muito sucesso nas vendas.
Tenho certeza de que há outras definições ou abordagens para essas duas palavras tão distintas (distinta, outra palavra plurissignificativa), mas, para os objetivos deste escrito, aquelas ali acima são mais que suficientes. Primeiro, porque demonstram rapidamente que não são sinônimas, nem de longe. Segundo, porque um olhar mais profundo sobre a centralidade de seus objetivos, demonstra que não apenas não são sinônimas, mas que NADA tem a ver uma com a outra, nem de maneira forçada. São de naturezas muito distintas.
Bora aprofundar.
Fala-se em pessoas famosas. Certo. Devem ser, se nos ativermos ao conceito trazido, pessoas que tem alguma fama, uma reputação. Neste sentido, toda pessoa é famosa. Eu, você, qualquer um; exceto alguém cuja existência seja ignorada por qualquer outra, justamente porque fama é uma realidade subjetiva, ou seja, entre sujeitos. É o tal conceito (bom ou mau) que os outros tem de alguém ou algo. A SUBJETIVIDADE da fama, portanto, é o grande traço distintivo.
Fala-se também em pessoas de sucesso. Certo. Devem ser pessoas que alcançaram algum resultado em seu negócio ou empreendimento. Resultado positivo ou negativo, embora naturalmente associemos a palavra ao positivo. Aqui cabe frisar que sucesso, por si, é um conceito vago, incompleto, que não denota naturalmente o positivo. Pode ser um bom sucesso, ou um mau sucesso. Mas aí já é xaropice minha, porque eu sei que todo mundo associa sucesso ao empreendimento que deu certo. Não se fala “o empresário de bom sucesso”, mas simplesmente “o empresário de sucesso”. E qual o traço distintivo? A OBJETIVIDADE. Aqui não depende do que o resto da humanidade pensa ou especula. No sucesso, pelo que entendo, por algum critério objetivo é possível dizer se algo deu certo ou não, se foi positivo ou negativo, superavitário ou deficitário.
Grana. Mas onde a grana entra nisso tudo? Os números?
Pois é, enfim chegamos ao ponto.
O dinheiro, pequeno deus deste mundo, colocou seus dedinhos nesta história. A mídia, a hiperconectividade, a vida televisionada e (agora) da internet de imersão total, também. Seus muitos dedinhos estão em tudo.
Pelo que hoje se entende por UMA PESSOA FAMOSA, eu não sou. E pelo que se diz ser UMA PESSOA DE SUCESSO, provavelmente eu também não seja. A um, por não ter milhões de seguidores. A dois, por não ter milhões de dólares. ALCANCE e CIFRAS. O mundão véio sem porteira apequenou fama e sucesso a apenas isto. Se alguém diz ou faz o que quer que seja, e tem um número com muitos dígitos de plateia, tem fama. Se alguém diz ou faz idem, e idem zeros na conta bancária (obrigatoriamente, alguns números seguidos de 6 zeros; milhão, bilhão...), alcançou o sucesso.
Hummm, e aí é que o caldo entorna e não me desce.
Primeiro porque a tal FAMA pode estar ligada a uma conduta horrível. Ou se nega que há pessoa ditas “famosas”, muito famosas, que nada, nada, rigorosamente nada de positivo tenham por acrescentar? Ou porque gravaram um hit musical sem qualidade ou sentido, ou porque fazem coisas esdrúxulas no seu canal no Youtube, ou porque criam piadas e memes que fazem a multidão rir como bocó, ou porque transam com centenas de pessoas, ou porque fizeram um passeio em família e estavam usando X mil dólares em acessórios... e enfim chegamos ao link (fake, claro) entre fama e sucesso (porque desvirtuados seus verdadeiros sentidos), correlacionando o ser conhecido por muitos com o ter acesso a coisas que custam muito dinheiro.
Não vou citar nomes. Aliás, eu apenas cito nomes quando minha menção é positiva, como fiz ao Dr. Paulo Muzzy no início deste escrito. Ele, seguramente um exemplo de pessoa com boa fama e bom sucesso. Mas sério, procuro não citar nomes que exemplifiquem coisas ou conceitos que eu considere horríveis. E hoje há tantos, mas tantos, que não daria o menor trabalho listar uma centena. Pessoas dizendo ou fazendo coisas ridículas, nocivas até, e ostentando a plaquinha GOLD do Youtube. Influenciando forte uma geração da qual tenho dó. A molecada com mais acesso a tudo em todos os tempos da história, consumindo porcarias com seus olhos e ouvidos, escravizados pelas celebridades “famosas” e “ricas”, que de fama só tem a ideia errônea dos números, e de riqueza só tem as cifras na conta bancária.
Isso me desalenta dum tanto. Choro por esta geração aprisionada pela falsa fama e pelo falo sucesso.
Ainda essa semana uma pessoa comentou: “Que pena que seu texto está tão escondidinho em seu perfil, que pena!”. E sabe, eu também acho. Que pena! Nos 38 textos anteriores, bem como neste, e nos muitos que virão pela frente (se assim Deus me permitir), muita coisa relevante foi, está sendo, e será comunicada. Os seguidores são pouquíssimos. A monetização não existe (aliás, nunca será objetivo). Mas a mensagem é boa. Como eu sei disso? Pelos frutos. Sei de pessoas que acertaram coisas em suas vidas a partir de um escrito meu. Outras que passaram a buscar a Deus numa perspectiva diferente. Alguém até me pediu uma tabelinha para começar a leitura integral “capa a capa” da Bíblia. Houve caso em que numa situação crítica a pessoa teve o impulso de parar toda a cena, puxar o celular e ler um desses textos, fazendo jovens pensarem melhor sobre o que estavam fazendo. Frutos tão preciosos. Mas disso não seria dito ser fama. Muito menos sucesso. Fama e sucesso, para o mundão, seria um canal com zilhões de visualizações, curtidas, compartilhamentos e comentários, mesmo que nenhuma mudança relevante e duradoura fosse obtida. A farsa dos números e das cifras.
Mas quando eu leio na Palavra do Senhor que uma alma vale mais que o mundo inteiro (Mateus 16:26), e me lembro que importa que Ele cresça e eu diminua (João 3:30), e me lembro que toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto (Tiago 1:17), e que se eu for fiel no pouco, sobre o muito Ele poderá me colocar (Lucas 16:10), e tantas e tantas e tantas outras lembranças de princípios e promessas maravilhosas do meu Senhor, venho toda vez com a maior motivação do mundo para este teclado, sempre em busca da excelência, da melhor comunicação possível, acessando tudo que já li, pensei, aprendi ou ensinei, tentando organizar a melhor forma de comunicar algo que faça a diferença. Já fez, tem feito, e sei que continuará a fazer. Ainda que o faça em apenas uma alma, porque ela vale mais que tudo.
Existem coisas sobre estes escritos que nunca comentei aqui. Promessas de alcance enorme. Creio e confio plenamente nelas. Tudo a seu tempo. Pequenos começos. Boa e verdadeira fama. Sucesso pelos critérios do Alto. Essa é a minha vida. Escrevo por um propósito. Não paro por nada.
Que top!
ResponderExcluirAdorei!
Que seja tudo por Ele e para Ele!
As demais motivações, serão meras motivações!