quarta-feira, 8 de setembro de 2021

055 SEMENTES

Um quadro que pode ser extremamente tenso: você na condição de paciente; um médico olhando para os exames; aquele silêncio ensurdecedor no consultório; a tensão enquanto você aguarda ele falar alguma coisa. Ele rola o mouse, para um pouco, continua. Alguns minutos nesse clima estranho e você ali, querendo saber logo se está tudo bem. Eu passei por algo assim uma ou duas vezes na vida. Gostei não.

Via de regra, faço dois check-ups por ano. Um simples em janeiro, e o mais completão pelo meio do ano, julho ou agosto. Rotina que a maioria dos caras não tem. É sabido que homens são mais reativos aos problemas de saúde, enquanto as mulheres são mais preventivas. Neste tema, eu muito cedo me dei conta da importância de não deixar um pequeno problema tornar-se grande, quando está nas minhas mãos o poder administrá-lo. Não que eu seja um desesperado que corre para o médico ao menor mal-estar. Mas também não sou daqueles que espera a dor tornar-se insuportável, para somente então se mexer. Com o tempo a gente vai entendendo os sinais do organismo, meio que sabendo a hora certa de agir.

Na imensa maioria das vezes, aquele quadro do primeiro parágrafo não foi nada tenso para mim. Sempre espero bons resultados, porque naquilo que me cabia, fiz o dever de casa. Alimentação legal, rotina de exercícios, bom sono, pouco estresse, segurança em vários aspectos da vida... ingredientes ideias para que as coisas caminhem bem. E tem caminhado, graças a Deus – naquilo que está além de mim – e graças a mim – naquilo que não cabe a mais ninguém.

Hoje cedo, por exemplo, fiz minha visita anual ao cardiologista. A boa prosa de sempre, umas trocas de ideias sobre pedais que fizemos nos últimos meses – o meu médico também pedala – e lá vamos nós para a sala do eletrocardiograma, e a seguir para o ecocardiograma. Tudo corre bem, e finalizamos aquela 1 hora e meia na clínica com as análises dos resultados. Eu paciente; médico olhando para os exames; silêncio na sala; e tensão alguma enquanto aguardo ele falar praticamente as mesmas palavras de 1 ano atrás:

- Cara, esses seus exames sempre vêm lindos. Coração de atleta. Siga firme, porque você está melhor do que quase todo mundo que eu examino.

E o cara é médico especializado na galera do alto desempenho, triatletas, maratonistas, ciclistas de alto nível, etc. Então... ouvir que você está melhor do que quase todo mundo não é pouca coisa. É um TODO MUNDO em caixa alta. E se você está no nível, ou até melhor que esses caras, é para abrir o sorrisão e caprichar ainda mais no próximo treino, só pra comemorar.

Uma bênção. Bênção no que toca – como falei mais acima – àquilo que não tenho controle. Uma genética favorável e privilegiada não se escolhe ter. Ou você tem, ou não. Felizmente, fui abençoado com ela. Mas não me escoro nela, vivendo doidamente como se não houvesse amanhã, como se saúde fosse um bem infinito. Faço minha parte – como também falei acima, a parte que cabe a mim – com as melhores rotinas e os melhores hábitos possíveis. Nada escravizante ou radical: eu consumo doces, eventualmente um refri, uma ou duas cervejas por ano (POR ANO!), gosto muito de picanha com gordura (claro!), e diria que seriam essas as práticas mais potencialmente nocivas que eu teria na minha rotina. Quanto a drogas, álcool em excesso, privação do sono e mais uma montanha de possibilidades, nada disso passa perto de mim.

O resultado? Aquele que o médico leu hoje cedo. Saúde de menino aos 44 de idade. Índices melhorando, capacidades mais e mais ampliadas, hormônios em dia... pacote completo. Eu não poderia querer estar melhor. Maaas... como a gente é meio insatisfeito, daqui uns dias rola aquela cirurgia capilar que mencionei no escrito 035 A INSUSTENTÁVEL BELEZA DO SER. Afinal, se tem um detalhe ou outro para melhorar, por que não, né?!

Tudo isso são frutos de sementes que comecei a lançar muito cedo. E como sabemos, tudo o que o homem semear, isso também ceifará (ou colherá). Assim, se há pelo menos 3 décadas e meia eu comecei a praticar esportes regularmente, e a ter uma disciplina de atleta amador, onde estaria a surpresa de eu performar super bem em toda e qualquer atividade atlética que me propus a fazer? Surpresa alguma. Houve uma construção do corpo para resultados sempre bons. Semelhantemente, se há pelo menos 2 décadas e meia passei a ter hábitos alimentares muito saudáveis, também não causa surpresa eu não saber o que é uma alergia, uma intolerância, gastrites ou coisas do tipo, bem como esperar e sempre encontrar resultados excelentes nos exames clínicos de sangue. Boas sementes, bons frutos.

Esses dois pilares eu resolvi bem cedo. O terceiro, acabei demorando um pouco mais, porque não era tão simples. Aproximadamente 1 década atrás eu desacelerei da vida maluca de trabalho, trabalho, trabalho. Pude fazer essa escolha, e tomar atitudes neste sentido, quando alguma segurança financeira já estava consolidada. Seguir naquele ritmo era insustentável, a não ser que eu quisesse só ganhar mais e mais dinheiro, mas pouco viver, e bem pouco usufruir do que eu havia construído até então. Penso ter feito a escolha certa: uma vida mais simples e modesta, mas muito leve. MUITO LEVE.

Uma banqueta de 3 pés não ficaria de pé sem um deles. Uma vez resolvido o terceiro pilar, as coisas ficaram ótimas. É a vida que vivo hoje: saudável, equilibrada, muito prazerosa. Gosto demais dela.

Cedo ou tarde ela vai mudar, claro. Como disse no escrito 038 O DIA MAU:

 

“- Isso por que você está passando agora passará, Fer. Parece que não, eu sei. Parece que tudo vai desmoronar, sem saída. Mas passará, e as coisas vão melhorar. E sabe o quê mais?

- O que, Prôfe?

- Quando as coisas estiverem ótimas, tudo funcionando, e você se sentir invencível, nada podendo ficar melhor... tudo aquilo vai passar também. Não necessariamente para um quadro seguinte terrível e arrasador, mas quem sabe para algo não tão excelente quanto era até há pouco. E este novo contexto vai existir por um tempo, para também passar. E o seguinte, idem. Idem. Idem. Tudo isto passará, Fer.

- Uooooow

- Circunstancialmente falando, neste plano, tudo passará.”


Assim, seu eu ficar me ocupando com pensamentos sobre um futuro incerto, onde as coisas serão diferentes de hoje, não desfrutarei do excelente hoje que está aqui e agora. Se eu ficar pensando nas possíveis doenças ou limitações que um dia serão ditas por um médico, não me alegrarei tão plenamente com a saúde topíssima que tenho hoje. Semelhantemente, seu eu sofrer por antecipação pelo que quer que seja, em qualquer área da vida, só farei desperdiçar o precioso e irrecuperável tempo, mencionado no último escrito (054 TUDO A SEU TEMPO).


Após aquelas esperadas e animadoras palavras do cardiologista hoje cedo, o que se faz então? Quinta (amanhã), dia de treino, o jeito é pegar a bike e fazer um treino daqueles! Intensidade. Entrega. Máxima performance. Porque é algo que a vida e a saúde me permitem hoje. Seria desperdício fazer qualquer coisa menos que o EXCELENTE. Na bike. No trabalho. Na família. No amor. No Reino. No que quer que seja.


E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens. (Colossenses 3:23)

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